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PF investiga fraude milionária em contratos de castração animal no Rio

Operação apura suposto direcionamento de licitação, superfaturamento e lavagem de dinheiro em contratos que somam R$ 200 milhões

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PF investiga fraude milionária em contratos de castração animal no Rio
Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação Castratio e intensificou a apuração sobre um suposto esquema de fraude em contratos de mutirões de castração de animais firmados pela Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro. Os contratos investigados chegam a cerca de R$ 200 milhões e levantam suspeitas de organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.

Entre os principais alvos está o deputado estadual Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), ex-secretário estadual de Agricultura e nome conhecido na pauta da proteção animal. Segundo a investigação, o grupo teria direcionado a licitação para favorecer a empresa Consuvet, que venceu o processo mesmo sem apresentar estrutura técnica compatível com o serviço contratado.

Empresa surgiu pouco antes e venceu contrato milionário

A investigação mostra que a Consuvet foi criada apenas três meses antes de vencer a licitação milionária. Além disso, a empresa só conseguiu registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária depois da assinatura do contrato.

Esse ponto fortaleceu a linha de apuração da PF. Para os investigadores, a empresa não possuía capacidade operacional suficiente para assumir um contrato desse porte, o que reforça a suspeita de favorecimento e direcionamento no processo licitatório.

Além disso, os policiais identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas. Um dos fatos que mais chamou atenção foi o saque de R$ 700 mil em espécie realizado pelos sócios da empresa em uma única operação.

Para a Polícia Federal, esse tipo de movimentação pode indicar tentativa de ocultação de patrimônio e prática de lavagem de dinheiro. Quando o dinheiro sai correndo em silêncio, normalmente a investigação corre atrás fazendo barulho.

PF cumpre mandados e apreende dinheiro e joias

A operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ações ocorreram na capital fluminense e também em cidades como Itaocara, Macaé, Niterói, São Roque e Mairinque.

Durante as buscas, os agentes encontraram dinheiro em espécie e joias em endereços ligados aos investigados. Além disso, Marcelo Queiroz foi abordado no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, quando tentava embarcar para Brasília. Os policiais apreenderam o celular do parlamentar.

Com isso, a PF busca ampliar o rastreamento financeiro e identificar com mais precisão a participação de cada investigado dentro do suposto esquema.

Investigação aponta superfaturamento e quebra de concorrência

Segundo a Polícia Federal, há indícios consistentes de direcionamento da licitação, frustração da competitividade e possível superfaturamento dos contratos públicos.

Agora, os investigados poderão responder por organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A operação segue em andamento e novas diligências podem ocorrer nos próximos dias.

O caso reacende a discussão sobre transparência e fiscalização no uso do dinheiro público. Quando recursos destinados à causa animal entram no caminho da corrupção, o prejuízo não fica apenas no papel, ele atinge políticas públicas, serviços essenciais e a confiança da população.

Dinheiro público não pode virar pista de fuga. Ele precisa chegar onde foi prometido.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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