
O ator e humorista Fábio Porchat utilizou as redes sociais nesta quinta-feira (14) para ironizar a decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O colegiado aprovou o Projeto de Lei 6342/2025, que propõe declará-lo “persona non grata” no estado.
Ironia de Fábio Porchat
Em vídeo publicado no Instagram, Porchat aparece simulando choro de emoção e afirma que o título é um motivo de “honra” em sua trajetória. “Eu tenho mais de 20 anos de carreira, já ganhei prêmio, mas nunca imaginei que fosse chegar nesse lugar. Deputado chateado comigo é um negócio que enche meu peito de orgulho”, disparou o artista.
Críticas às prioridades do Legislativo
Durante a gravação, Porchat questionou as prioridades dos parlamentares fluminenses. Segundo o humorista, os legisladores deveriam focar em problemas estruturais do Rio de Janeiro em vez de focar em esquetes de humor.
“Os deputados que poderiam estar debatendo segurança pública, atrás de milícia ou tentando levar saneamento básico para as comunidades, estão ocupados com isso”, criticou.
Além disso, o ator comparou sua situação com a de figuras políticas envolvidas em crimes graves. Ele citou a ex-deputada Flordelis, condenada por homicídio, e os irmãos Brazão, réus pelo caso Marielle Franco, destacando que o rigor da Casa parece ser seletivo.
Motivo da polêmica
A proposta, de autoria do deputado Rodrigo Amorim (PL), baseia-se em vídeos de Porchat sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e críticas à interferência de dogmas religiosos na vida pública. O parlamentar sustenta que o humorista desrespeitou a “liturgia do cargo” e ultrapassou os limites da liberdade de expressão. Confira a votação na CCJ:
- 4 votos favoráveis: Incluindo o parecer do relator Alexandre Knoploch.
- 2 votos contrários: Dos deputados Luiz Paulo e Carlos Minc.
- 1 abstenção: Do próprio autor, Rodrigo Amorim.
Próximos passos
Apesar da vitória na comissão, o projeto enfrenta uma resistência técnica. O deputado Luiz Paulo apresentou voto divergente, argumentando que a medida é inconstitucional. Segundo ele, o Legislativo não deve criar leis para atingir pessoas específicas, e o termo “persona non grata” pertence estritamente ao campo da diplomacia entre nações.
Agora, o texto segue para o plenário da Alerj. Para que o título seja oficializado, a proposta precisa ser votada por todos os deputados estaduais. Porchat, por sua vez, encerrou o vídeo pedindo, em tom de piada, que os parlamentares confirmem a votação: “Eu quero chegar aonde nenhum comediante nunca chegou”.

