
A queda expressiva nos casos de dengue em Itajaí abriu espaço para uma nova etapa no combate ao mosquito Aedes aegypti. Depois de reduzir em 93% os registros da doença no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, o município iniciou a fase de comunicação e engajamento do Método Wolbachia, tecnologia que busca diminuir ainda mais a transmissão da dengue, da zika e da chikungunya.
Desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, a estratégia será implantada pela Wolbito do Brasil. Antes da liberação dos mosquitos, prevista para o fim de agosto e o início de setembro, a Prefeitura promoverá uma ampla campanha de orientação para esclarecer dúvidas e explicar o funcionamento do método à população.
Informação e participação da comunidade marcam primeira etapa
Nesta fase inicial, equipes da Prefeitura e do projeto visitarão escolas, unidades de saúde, associações comunitárias e espaços públicos. Além disso, o município utilizará rádios, emissoras de televisão, redes sociais e materiais impressos para ampliar o alcance das informações.
Ao todo, cerca de 130,1 mil moradores dos bairros São João, São Vicente, Cordeiros e Cidade Nova participarão da primeira etapa da iniciativa. A administração municipal escolheu essas regiões por concentrarem maior incidência de casos de dengue nos últimos anos.
O Método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, encontrada naturalmente em diversos insetos. Essa bactéria impede que os vírus da dengue, da zika e da chikungunya se desenvolvam dentro do mosquito, reduzindo significativamente sua capacidade de transmissão. Os insetos utilizados permanecem iguais aos mosquitos comuns, sem qualquer alteração na aparência ou no comportamento, e transmitem naturalmente a bactéria às próximas gerações.
Tecnologia complementa ações tradicionais de prevenção
Após concluir a fase de conscientização, equipes técnicas realizarão liberações semanais dos mosquitos nos bairros contemplados. Paralelamente, o município acompanhará a evolução da estratégia por meio de armadilhas conhecidas como ovitrampas. Os ovos coletados seguirão para análise em laboratório, permitindo monitorar a presença da Wolbachia e sua dispersão ao longo do tempo.
A tecnologia já apresentou resultados positivos em diferentes cidades brasileiras e em outros países. Em Niterói (RJ), por exemplo, o método contribuiu para reduzir em até 70% os casos de dengue, além de favorecer o controle da zika e da chikungunya. A estratégia conta com recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Mesmo com a chegada da nova tecnologia, a Prefeitura reforça que a participação da população continua essencial. Por isso, moradores devem manter a eliminação de recipientes com água parada, principal medida para impedir a reprodução do Aedes aegypti. Além disso, inseticidas, aerossóis, raquetes elétricas e outros métodos individuais podem continuar sendo utilizados normalmente, sem comprometer a eficácia do Método Wolbachia, que funciona como um reforço às ações permanentes de prevenção contra a dengue em Itajaí.

