
A presença de uma aranha armadeira dentro de uma casa em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, chamou a atenção e serviu de alerta. A aranha mais venenosa do Brasil, conforme especialistas, foi encontrada por um biólogo, que aproveitou o episódio para orientar sobre riscos e cuidados ao lidar com animais peçonhentos.
O encontro foi registrado em vídeo pelo biólogo Gilberto Duwe. Nas imagens, a aranha aparece em postura defensiva, com as patas levantadas e as presas visíveis, um comportamento típico da espécie quando se sente ameaçada e que dá origem ao nome popular “armadeira”.
“Foi um encontro inesperado. Ela estava dentro de casa e ficamos frente a frente. Capturei com cuidado e coloquei em um recipiente para soltar em um local adequado, preservando a segurança da minha família e do próprio animal”, relatou o biólogo.
Veja na íntegra:
Aranha mais venenosa do Brasil
Ao contrário da maioria das aranhas, a armadeira não depende de teias para se alimentar. A espécie tem hábito ativo de caça, deslocando-se pelo ambiente em busca de presas, especialmente durante a noite.
“Ela não constrói teia. Quando se sente ameaçada, se arma, levantando as patas. É uma aranha peçonhenta e muito ágil. Recentemente observei uma armadeira predando um inseto em Irineópolis”, explicou Giba.
Durante o dia, costuma se abrigar em locais protegidos e de pouca iluminação, como calçados, roupas, vasos, entulhos e materiais de construção.
Classificada cientificamente como Phoneutria nigriventer, a aranha-armadeira pode atingir até 15 centímetros de envergadura e é capaz de saltar cerca de 40 centímetros. Seu veneno é neurotóxico e pode causar sintomas como dor intensa, sudorese, taquicardia, convulsões e, em situações excepcionais, pode levar à morte.
Calor favorece encontro com animais peçonhentos
O aumento das temperaturas contribui para a maior circulação de animais peçonhentos em áreas urbanas, elevando o risco de encontros dentro de casa. Atividades comuns do verão, como faxinas, reformas e o manuseio de tijolos, telhas e madeiras, ampliam essa possibilidade.
No caso de Jaraguá do Sul, a aranha estava escondida dentro de um bloco de construção, o que reforça um alerta frequente entre especialistas: o perigo pode estar exatamente onde as mãos são colocadas sem a devida atenção.
Dados do Governo de Santa Catarina indicam que acidentes com animais peçonhentos representaram 21,4% das ocorrências de intoxicação por veneno registradas no estado em 2024.
Como agir ao se deparar com uma armadeira
A recomendação é evitar qualquer tentativa de contato direto. Não se deve matar o animal nem tentar capturá-lo com as mãos. O ideal é isolar o ambiente e acionar equipes especializadas, como o Corpo de Bombeiros ou órgãos ambientais, para realizar a remoção de forma segura.
Medidas simples ajudam a prevenir acidentes, especialmente durante o verão: usar luvas em limpezas, sacudir roupas e calçados antes de vestir, verificar materiais de construção e evitar colocar as mãos em locais escuros ou de difícil visualização.
Além de reduzir riscos à saúde, essas atitudes contribuem para a preservação do equilíbrio ambiental, já que a aranha-armadeira exerce papel importante no controle de outras espécies.

