
O território indígena no Morro dos Cavalos, em Palhoça, está entre as três aldeias da Região Sul do Brasil que recebe a partir desta quinta-feira (18) da primeira Caravana das Originárias da Terra. Até segunda (22), são esperadas mais de 200 mulheres que, ao som de seus maracás e com a força de sua ancestralidade, se unam para demarcar a luta das mulheres indígenas.
No Morro dos Cavalos, às margens da BR-101, a Caravana estará no domingo (21) e segunda (22), no centro de formação Tataendy Rupa. Antes disso, ela vai passar por Guaíra, no Paraná, na aldeia Tekoha Y’hovy, Terra Indígena Guasu Guavirá, e em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, na Terra Indígena Por Fi Ga.
Lançada pela Articulação das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), a Caravana das Originárias da Terra tem como objetivo promover ações de fortalecimento, protagonismo, acolhimento e reflexão sobre a importância dos biomas e territórios de todo o Brasil e sobre a conquista da autonomia das mulheres indígenas para a participação e ocupação de espaços institucionais e tomada de decisões, valorizando suas diversas ancestralidades.
“A caravana faz esse processo de formação e escuta, de partilhar e compartilhar e também levar e carregar e deixar força para as mulheres de diversos povos. Eu acho que essa conexão de vozes e essa conexão de escuta só fortalece o trabalho que a gente vem realizando enquanto ANMIGA e ficamos felizes de poder ter essa oportunidade de chegar nos territórios”, afirma a diretora executiva da organização, Braulina Baniwa.
Durante a Caravana, serão realizados debates e ações sobre os seguintes eixos: mudanças climáticas e reflorestarmentes; participação e representação das mulheres indígenas nos espaços de poder; bioeconomia indígena; violência baseada em gênero e violações de direitos contra as mulheres indígenas nos territórios e fora dos territórios; articulação das redes de apoio às mulheres vítimas de violência de gênero; e mobilização e fortalecimento de coletivos/associação de jovens e mulheres indígenas.
Antes de vir à região Sul, a Caravana ocupou o território do estado de Rondônia, nos dias 15 e 16 de agosto, no município de Cacoal, onde mais de 50 mulheres, de 14 diferentes povos, participaram do encontro. “Ao longo desses treze encontros, a gente pôde ouvir, a partir das dores, a força das mulheres na defesa dos direitos, na defesa dos territórios e em defesa, principalmente, dos seus filhos. Porque, para além do encontros nos territórios, a gente também escuta essa força de manter os conhecimentos milenares de seus povos, de suas avós, de seus anciões, e que a gente considera muito importante, principalmente quando se pensa num espaço de representação”, lembra Braulina.

Sobre a Caravana das Originárias da Terra
A Caravana das Originárias da Terra 2022 está percorrendo todos os biomas do território nacional brasileiro, desde maio, realizando encontros presenciais em territórios representativos. A proposta surgiu pelas mãos e vozes das mulheres indígenas durante a primeira Marcha das Mulheres Indígenas, realizada em agosto de 2019, em Brasília. Este momento também foi um marco para a criação da ANMIGA: a organização é uma grande articulação de mulheres indígenas de todos os biomas do Brasil, com saberes, tradições e lutas que se somam e convergem, como a garantia dos direitos indígenas e da vida dos povos.
A Caravana das Originárias da Terra na região Sul é realizada em parceria com o projeto Moviracá: direito à terra indígena, fruto da parceria entre o movimento indígena e a Fundação Luterana de Diaconia-Conselho de Missão entre Povos Indígenas (FLD-COMIN), financiado pela União Europeia (UE). Também tem apoio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul), Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (FLD-CAPA), Comissão Guarani Yvyrupa, Conselho Estadual dos Povos Indígenas de SC (Cepin), Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e Instituto Kaingáng.


