
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com o apoio financeiro do governo do Japão, anunciou um investimento de US$ 890 mil para mapear o potencial de grafite no Brasil. A iniciativa foca na província grafítica Minas-Bahia, uma das áreas mais promissoras do país para este mineral, essencial na fabricação de baterias de veículos elétricos e tecnologias de defesa.
Parceira entre Japão e Brasil
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) executará os trabalhos, que incluem um levantamento eletromagnético de alta resolução. O principal objetivo é identificar novas ocorrências e avaliar se as zonas mineralizadas conhecidas se estendem lateralmente ou em profundidade.
Salto nas reservas e impacto econômico
Atualmente, a região abriga cerca de 52 milhões de toneladas de grafite. Contudo, o BID estima que o novo estudo pode confirmar um aumento de 20% nas reservas, adicionando 10,4 milhões de toneladas ao inventário nacional.
Considerando o valor de mercado do grafite natural (estimado em US$ 1.200 por tonelada), esse incremento representa um potencial econômico superior a R$ 62 bilhões. Além disso, o projeto vai gerar mapas detalhados e modelos geológicos que servirão como guia para futuras campanhas de perfuração e exploração comercial.
Por que o grafite é estratégico?
A relevância do projeto se justifica pela corrida global por minerais críticos. Nesse sentido, o grafite desempenha um papel vital em dois setores principais:
- Transição Energética: É o principal componente dos ânodos de baterias para carros elétricos.
- Defesa e Tecnologia: Essencial para drones, sistemas autônomos, blindagens leves e componentes eletrônicos de alta resistência.
Entretanto, o mercado atual enfrenta uma forte concentração. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) mostram que a China domina 80% da mineração e mais de 90% do refino de grafite no mundo. Com a previsão de que a demanda global quadruplique até 2040, o Brasil busca fortalecer sua posição como uma alternativa viável na cadeia de suprimentos.
Desafios no horizonte
Embora os números sejam otimistas, o BID ressalta que a transformação de recursos em produção efetiva não ocorre do dia para a noite. O setor mineral exige:
- Longos anos de estudos geológicos e licenciamento ambiental;
- Investimentos pesados em infraestrutura;
- Construção de plantas de processamento complexas.
Portanto, o levantamento financiado pelo Japão é o primeiro passo de uma jornada de longo prazo para consolidar o Brasil como um player central na economia verde global. Após a conclusão, o SGB disponibilizará todos os dados publicamente para atrair novos investidores ao setor.

