
O Quênia enfrenta uma nova frente no tráfico de vida selvagem: o comércio ilegal de formigas. Impulsionados pela crescente demanda de colecionadores, contrabandistas exploram principalmente as formigas-rainhas, que podem valer mais de R$ 1 mil no mercado clandestino.
Durante a estação chuvosa, enxames deixam os formigueiros em regiões como Gilgil, no Vale do Rift. Nesse período, coletores aproveitam o momento em que as rainhas saem para acasalamento e as capturam para venda ilegal.
Rainhas são alvo principal do comércio
As formigas gigantes africanas coletoras, conhecidas cientificamente como Messor cephalotes, lideram a preferência entre compradores internacionais. Como uma única rainha consegue formar uma colônia inteira e viver por décadas, o valor desses insetos aumenta significativamente.
Além disso, contrabandistas conseguem transportar as formigas com facilidade, já que os insetos muitas vezes passam despercebidos por scanners em aeroportos.
Segundo relatos, intermediários locais coletam as rainhas em áreas rurais e as entregam a compradores estrangeiros, que aguardam em cidades próximas.
Operações revelam dimensão do tráfico
Nos últimos meses, autoridades descobriram grandes carregamentos ilegais. Em uma operação, agentes encontraram cerca de 5 mil rainhas vivas armazenadas em uma pousada. Em outro caso recente, um suspeito foi detido com mais de 2 mil formigas no aeroporto de Nairóbi.
Diante disso, especialistas e autoridades passaram a tratar o comércio como uma ameaça crescente, ainda pouco monitorada.
Riscos ambientais preocupam especialistas
Pesquisadores alertam que o tráfico pode causar impactos graves nos ecossistemas. Isso porque as formigas desempenham papel essencial na dispersão de sementes e na manutenção do equilíbrio ambiental.
Além disso, a introdução dessas espécies em outros países pode gerar desequilíbrios ecológicos, especialmente se escaparem e se estabelecerem na natureza.
Outro ponto de preocupação envolve o crescimento do mercado online. Estudos identificaram a venda de dezenas de milhares de colônias, incluindo espécies não nativas em países como a China, onde a importação é ilegal.
Falta de controle internacional amplia problema
Atualmente, nenhuma espécie de formiga está incluída em acordos internacionais de proteção, como a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas (Cites). Por isso, o comércio segue, em grande parte, fora do radar global.
Enquanto isso, autoridades do Quênia reforçam a necessidade de ampliar a fiscalização, especialmente em aeroportos e fronteiras.
Entre o lucro e a conservação
Por outro lado, especialistas apontam que o país poderia explorar o comércio de forma legal e sustentável, gerando renda para comunidades locais.
No entanto, o debate ainda divide opiniões. Enquanto alguns defendem a regulamentação, outros alertam para os riscos ambientais e a dificuldade de controle.
Assim, o comércio de formigas revela um novo desafio: equilibrar interesses econômicos com a preservação da biodiversidade.

