
A técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva levou um susto ao procurar emprego na Agência do Trabalhador de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Isso porque o sistema apontou que ela ocupava o cargo de “presidente da República” há 24 anos e dois meses.
Além disso, o registro apareceu na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) Digital da trabalhadora. O documento ainda indicava salário inicial de R$ 201,60 e vínculo com a prefeitura de Jaboatão, onde Aldenize trabalhou como merendeira em 2002.
Prefeitura atribui erro à migração de sistemas
Segundo a prefeitura, um erro durante a migração do antigo sistema SEFIP para o e-Social provocou o cadastro equivocado. A gestão municipal informou que alguns servidores acabaram registrados em um “cargo comissionado genérico como presidente da República”.
Enquanto buscava uma vaga de emprego, Aldenize ouviu do atendente da agência que o sistema mostrava um vínculo ativo desde março de 2002.
“Ele perguntou se eu estava brincando. Disse que eu trabalhava há 24 anos como presidente da República e ainda procurava emprego”, contou.
Registro em aberto pode afetar aposentadoria
Em seguida, ela verificou o cadastro no computador da agência e descobriu que o vínculo permanecia em aberto. Segundo o atendente, a inconsistência poderia até dificultar uma futura aposentadoria.
A técnica de enfermagem afirmou que só descobriu o problema após baixar a CTPS Digital com ajuda da cunhada. Antes disso, ela usava apenas a carteira física.
Além disso, Aldenize relatou que trabalhou para a prefeitura entre 2000 e 2002 em uma escola rural da comunidade de Manassu, onde atuava como merendeira e auxiliar de serviços gerais.
Trabalhadora relata constrangimento
Para ela, o erro pode ter atrapalhado a busca por emprego nos últimos anos.
“Acho que não consigo trabalho por causa desse problema. O vínculo deve aparecer em aberto”, disse.
A trabalhadora também afirmou que se sentiu humilhada ao descobrir o cadastro irregular.
“Me senti constrangida e como um palhaço fazendo graça para o público”, declarou.
Prefeitura orienta regularização
Atualmente, Aldenize trabalha como cuidadora de idosos, acompanhante hospitalar e faxineira enquanto tenta conseguir um emprego formal na área da enfermagem.
A prefeitura de Jaboatão orientou a ex-servidora a procurar a Unidade de Gestão de Pessoas (UGEP) para regularizar a situação. Além disso, o município informou que adotou medidas internas para evitar novos erros semelhantes.

