
O diagnóstico de autismo da pequena Giovanna, conhecida como Gigi, mudou a rotina da família e, ao mesmo tempo, deu origem a uma igreja voltada à inclusão de pessoas com deficiência em Gaspar, no Vale do Itajaí.
Diante disso, Carolina Tortelote e o marido, que atua como pastor, decidiram transformar a própria vivência em propósito. Assim, eles criaram uma igreja pensada desde o início para acolher principalmente crianças autistas e suas famílias.
“Recebemos o diagnóstico quando ela tinha 3 anos. No entanto, em vez de enxergar como um fim, entendemos como uma direção para a nossa vida”, afirma Carolina.
Projeto nasce com foco na inclusão real
Além disso, a família se mudou do Rio de Janeiro para Santa Catarina, em 2025, já com o objetivo de construir um espaço verdadeiramente inclusivo.
A ideia surgiu a partir de uma reflexão prática: enquanto pessoas sem deficiência conseguem se adaptar a ambientes inclusivos, pessoas com deficiência nem sempre conseguem se adaptar a espaços não preparados.
Por isso, o casal decidiu estruturar toda a igreja com base nessa realidade, priorizando acessibilidade e acolhimento desde o início.
Estrutura adaptada faz diferença no dia a dia
Com essa proposta, a família fundou a Igreja Batista Lar, no bairro 7 de Setembro. Desde então, o espaço conta com adaptações que ajudam a reduzir estímulos e proporcionar mais conforto às crianças.
Entre as principais medidas, estão:
- iluminação mais suave
- som reduzido
- ambiente preparado para evitar sobrecarga sensorial
Além disso, a igreja criou um espaço com pula-pula dentro do templo, com o objetivo de auxiliar na regulação emocional de crianças autistas durante momentos de crise.
Dessa forma, as famílias conseguem permanecer no culto com mais tranquilidade, sem precisar sair em situações difíceis.
Comunidade cresce e fortalece acolhimento
Atualmente, cerca de 30 famílias frequentam a igreja. Desse total, aproximadamente metade é formada por famílias atípicas.
Além disso, pelo menos oito crianças autistas participam das atividades, junto a outras crianças com deficiência.
Mesmo com limitações estruturais, a equipe busca soluções contínuas. “Ainda não temos tudo o que precisamos, mas adaptamos o ambiente e nossas atitudes para acolher cada pessoa com respeito”, destacou a igreja nas redes sociais.
Apoio especializado reforça atendimento
Outro diferencial do projeto é a participação de uma psicóloga especialista em autismo, que atua de forma voluntária.
Com isso, ela ajuda a desenvolver estratégias para lidar com comportamentos, antecipar crises e respeitar o tempo de cada criança.
Segundo a equipe, esse cuidado beneficia não apenas crianças atípicas, mas todas as que participam das atividades.
Projeto pode ser pioneiro no país
Além de crescer gradualmente, a iniciativa pode se tornar a primeira igreja batista do Brasil estruturada desde o início com foco nas necessidades de pessoas com deficiência.
Apesar dos desafios financeiros, a família mantém o projeto ativo e em expansão. “Construímos tudo aos poucos, mas seguimos com um objetivo claro e muita determinação”, reforça Carolina.
Mais do que um espaço, um propósito
Por fim, a proposta vai além de um local de culto. A igreja busca oferecer pertencimento, dignidade e respeito para todas as famílias.
Assim, o espaço segue em construção constante, com adaptações, aprendizado e, principalmente, propósito.

