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Após show em Florianópolis, Marcelo Bonfá comenta por que se afastou de Dado Villa-Lobos

Baterista da extinta Legião Urbana se apresentou no palco do Desterro Autoral

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Após show em Florianópolis, Marcelo Bonfá comenta por que se afastou de Dado Villa-Lobos
Bonfá, no palco em Floripa com Carlos Trilha. Foto: Desterro autoral / divulgação

O baterista Marcelo Bonfá, conhecido por seu trabalho na banda Legião Urbana, se apresentou neste sábado (4) num palco na avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis. Acompanhado do músico manezinho Carlos Trilha, que também acompanhou parte da trajetória da Legião nos palcos pelo Brasil nos anos 1990, Bonfá executou alguns dos sucessos que entraram para a história do Rock nacional. Em entrevista a jornalistas, o baterista revelou detalhes inéditos do fim da sua parceria com o guitarrista Dado Villa-Lobos, seu parceiro desde a formação inicial da Legião.

Marcelo e Dado iniciaram uma nova parceria logo após o fim da Legião, com a morte do líder Renato Russo, em 1996. Em 2015, começaram uma turnê de tributo à banda que durou até 2024. Durante esses shows, a dupla revisitou álbuns marcantes como As Quatro Estações (1989) e V (1991). Segundo Bonfá, o fim do projeto já era cogitado e acabou sendo adiado por um ano. Ele ainda revelou que percebeu “incompatibilidades” com o colega de palco.

Mesmo com a extensão da agenda, o encerramento se tornou inevitável. O baterista afirmou que as diferenças foram determinantes para o afastamento entre os dois. “A gente até tinha planejado terminar antes, mas estendeu mais um ano, foi além do planejado. Estendeu por várias razões: era uma corporação, cheia de gente, equipe enorme. E culminou nessas incompatibilidades. Algumas incompatibilidades ideológicas e afins e várias coisas, sabe? E aí a gente meio que está afastado”, disse.

Marcelo Bonfá em Floripa

Atualmente, Bonfá divulga a sua autobiografia em quadrinhos, intitulada “Minha Banda Preferida de Todos os Tempos’, em que revisita a trajetória na Legião Urbana e compartilha bastidores da carreira. Já Dado Villa-Lobos se apresentará no Rock in Rio 2026 com o grupo Capital Inicial, em um show que deve celebrar o legado de Renato Russo.

Essa não foi a primeira vez que as diferenças entre Marcelo e Dado vieram à tona. Muito antes do livro em quadrinhos agora lançado pelo baterista, Dado publicou em 2014 sua também autobiografia, um livro de 229 páginas intitulado “Memórias de um Legionário”. Nele, Dado relata alguns dos episódios que o fizeram se afastar de Marcelo, ainda muito antes da parceria que durou até 2024.

Um desses episódios diz respeito à saída do baixista original da banda, Renato Rocha, o Negrette, que deixou a Legião em 1989. Naquele ano, a banda lançou seu quarto disco, “As Quatro estações’, o primeiro sem a presença de Negrette. Dado conta que chegou a levar um baixista amigo seu aos ensaios, na tentativa de indica-lo à vaga na banda, mas Marcelo Bonfá conseguiu impor sua vontade, escalando o carioca Bruno Nascimento para a função. Mesmo sem ingressar formalmente na Legião, Bruno passou a gravar e se apresentar nos shows com a banda.

Mágoas antigas

No entanto, na maioria das citações a Bonfá no livro, Dado Villa-Lobos não demonstra guardar ressentimentos. Como quando relata que ambos foram contrários ao lançamento do álbum “Mais do Mesmo”, obra póstuma à morte de Renato Russo, que apresentou releituras de músicas antigas e algumas inéditas. “Bonfá e eu fomos contra seu lançamento. Depois, aceitamos com a condição de que o disco ficasse por apenas um ano no mercado”, revelou.

Em 22 de outubro de 96, alguns dias após a morte de Renato, Marcelo e Dado deram uma entrevista coletiva na sede da gravadora EMI, onde descartaram a possibilidade de a Legião seguir em frente sem o Renato. “Renato é insubstituível”, disse Bonfá. “Impossível continuar trabalhando com apresentações ao vivo ou com novas gravações”, reforçou Villa-Lobos. E prossegue, no seu livro: “descartamos até mesmo a hipótese de fazer música para letras que o Renato tivesse deixado prontas, porque isso seria oportunismo. Como eu disse, já havíamos decidido que, caso algum dos três deixasse a banda, o que fosse feito depois por qualquer um de nós não levaria o nome de Legião Urbana. Tendo o Renato partido, automaticamente o grupo não existia mais, e não faria o menor sentido ele continuar a existir”.

Róbinson Gambôa

Sobre o autor

Róbinson Gambôa

Experiênte jornalista, atua na região da Grande Florianópolis, se dedicando aos factuais do dia a dia e também a matérias mais autorais com foco em temas diversos. Entre suas especialisdades está a editoria de política e segurança publica. Gambôa também contribui com conteúdo esportivo.

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