
Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu nesta segunda-feira (5) do recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar validar os votos que recebeu na eleição para o governo do Rio de Janeiro. Com isso, os 274.411 votos obtidos pelo ex-governador no domingo (4) permanecem anulados e podem alterar o resultado da disputa.
Na apuração inicial, Douglas Ruas (PL) terminou o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes (PSD) alcançou 42,76%. Assim, o resultado apontava para um segundo turno. Porém, a exclusão dos votos de Garotinho reduz a quantidade de votos válidos e modifica a proporção obtida pelos demais candidatos.
Desistência afeta resultado da eleição
Garotinho disputou a eleição sob decisão judicial que apontava sua inelegibilidade. Desde então, a defesa tentava reverter a situação para garantir a validade dos votos recebidos nas urnas.
Nesta segunda-feira, a defesa havia cobrado o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para encaminhar o caso ao TSE. Logo depois, no entanto, Garotinho desistiu do recurso.
Dessa forma, os 274.411 votos continuam fora da contagem dos votos válidos. Consequentemente, os percentuais dos demais candidatos passam por uma nova proporção.
Douglas Ruas pode evitar segundo turno
Antes da mudança, Douglas Ruas tinha 49,27% dos votos válidos, abaixo da maioria necessária para vencer no primeiro turno. Eduardo Paes aparecia em segundo lugar, com 42,76%.
Agora, com a exclusão definitiva da votação de Garotinho, o cenário pode mudar. Por isso, a nova totalização pode indicar se Ruas ultrapassa a marca de 50% dos votos válidos.
Caso isso aconteça, o candidato do PL poderá ser declarado vencedor ainda no primeiro turno, sem a necessidade de uma nova votação contra Paes.
Entenda a situação de Garotinho
A Justiça Eleitoral declarou Anthony Garotinho inelegível em 11 de setembro. A decisão está relacionada a uma condenação por improbidade administrativa, que resultou na suspensão dos direitos políticos por oito anos.
Antes disso, em 10 de agosto, o ex-governador foi intimado a cumprir definitivamente a condenação. A defesa, entretanto, contestou o início da contagem da punição.
Segundo os advogados, o prazo deveria começar em 1º de agosto de 2018, quando ocorreu o trânsito em julgado da condenação. Nessa interpretação, os oito anos de suspensão teriam terminado em 31 de julho de 2026.
O TRE-RJ, porém, manteve a decisão que confirmou a inelegibilidade. Depois disso, a defesa levou a questão ao TSE.
Nova totalização define cenário
Com a desistência do recurso, Garotinho não poderá mais buscar, neste processo, a validação dos votos recebidos no primeiro turno. Agora, a definição do resultado depende da atualização da totalização pela Justiça Eleitoral.
Assim, a eleição para o governo do Rio de Janeiro poderá terminar no primeiro turno caso Douglas Ruas ultrapasse 50% dos votos válidos após a retirada dos votos de Garotinho.

