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Por que os Ovos de Páscoa seguem caros mesmo com queda do cacau?

Mesmo com recuo da matéria-prima, preços refletem contratos antigos e ainda pesam no bolso do consumidor

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Por que os Ovos de Páscoa seguem caros mesmo com queda do cacau?
Foto ilustrativa / Reprodução

Os preços dos ovos de Páscoa seguem pressionados nas prateleiras, e o aumento acumulado de chocolates e bombons nos últimos 12 meses ajuda a explicar esse cenário. De acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), esses itens registraram alta de 26,37% entre março de 2025 e fevereiro de 2026.

No entanto, essa elevação pode causar estranhamento no consumidor. Afinal, o cacau apresentou queda nas últimas semanas, chegando a cerca de US$ 3 mil por tonelada. Ainda assim, a Abicab explica que os preços atuais refletem custos firmados anteriormente.

Isso ocorre porque a indústria iniciou a produção dos ovos de Páscoa ainda no segundo semestre de 2025, quando os contratos do cacau estavam entre US$ 7 mil e US$ 8 mil por tonelada. Além disso, esses valores ainda estavam abaixo do pico registrado em dezembro de 2024, quando a commodity atingiu cerca de US$ 11 mil, impulsionada por quebras de safra na África Ocidental.

Inflação desacelera, mas volta a subir

Como consequência, esse cenário pressionou o IPCA no início de 2025. Em maio, por exemplo, os preços subiram 3,59%. Depois, houve desaceleração ao longo dos meses seguintes, com alta de 1,28% em janeiro de 2026. Porém, em fevereiro, a inflação voltou a acelerar, avançando 2,7%, ainda sob efeito dos contratos mais caros.

Produção cresce mesmo com custos elevados

Mesmo com os custos elevados, a indústria manteve o ritmo de produção. Segundo a Abicab, a fabricação de chocolates aumentou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025. Da mesma forma, a produção de ovos de Páscoa cresceu de 45 milhões para 46 milhões de unidades. Ainda assim, os preços ao consumidor continuam altos.

Levantamentos mostram variação de preços no país

Além disso, pesquisas regionais reforçam esse cenário. Em mercados de Uberlândia, por exemplo, um levantamento apontou variações de preços entre 0,78% e 22,98% em relação a 2025. Já no Rio de Janeiro, a Secretaria de Defesa do Consumidor e o Procon-RJ identificaram aumento médio de 16,85% nos itens de Páscoa.

Quando se analisam marcas específicas, os reajustes também aparecem. A Kopenhagen registrou alta média de 4,95%, enquanto a Cacau Show elevou seus preços por grama.

Setor cresce e amplia empregos

Apesar do impacto no bolso do consumidor, o setor apresentou resultados positivos. Segundo a Abicab, a produção cresceu, o número de itens no mercado aumentou e houve expansão na geração de empregos temporários.

Para a Páscoa de 2026, as empresas criaram 10.558 vagas, acima das 9.946 registradas anteriormente. Além disso, pelo menos 20% desses trabalhadores devem ser efetivados, o que reforça o aquecimento do setor mesmo diante dos preços elevados.

Alice Soares

Sobre o autor

Alice Soares

Alice atua na cobertura do Guararema News na região da Grande Florianópolis. Com foco em temas do cotidiano de quem vive na região, a jornalista contribui com apuração e pesquisa de notícias nacionais, incluindo temas voltados ao entretenimento.

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