
O governo federal finaliza a criação de um novo programa para renegociar dívidas com foco nas linhas de crédito mais caras do mercado. A iniciativa mira especialmente o rotativo do cartão de crédito, o cheque especial e o crédito pessoal e, além disso, promete descontos que podem chegar a 80% do valor devido.
Parceria com bancos e anúncio próximo
Segundo o secretário do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, a equipe econômica constrói o formato final em conjunto com bancos, fintechs e operadoras de cartão. Ao mesmo tempo, o governo prevê anunciar oficialmente o programa nos próximos dias, após o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Foco em pessoas de baixa renda
Além disso, o novo modelo prioriza a população de baixa renda. Nesse sentido, o governo direciona os maiores descontos para pessoas que recebem até três salários mínimos. De acordo com Durigan, a proposta também incentiva abatimentos amplos com uma garantia pública, caso o consumidor volte a atrasar os pagamentos.
Governo atuará como garantidor
Para viabilizar esses descontos elevados, o governo utilizará recursos públicos como garantia parcial das operações. Na prática, o Tesouro Nacional atuará como uma espécie de fiador, dividindo o risco de inadimplência com as instituições financeiras. Dessa forma, os bancos poderão oferecer prazos mais longos e juros mais baixos para a quitação das dívidas.
Mudanças em relação ao Desenrola
Por outro lado, o novo programa busca corrigir limitações do Desenrola Brasil, lançado em 2023. Diferentemente da iniciativa anterior, que exigia acesso à plataforma gov.br, o governo pretende simplificar o processo. Assim, o consumidor poderá negociar diretamente pelos aplicativos e canais digitais dos próprios bancos.
Endividamento preocupa governo
A proposta também responde a uma preocupação direta do governo federal com o alto nível de endividamento das famílias. Atualmente, dados do Banco Central do Brasil indicam que quase 30% da renda familiar está comprometida com dívidas — o maior índice desde 2011.
Nesse cenário, o rotativo do cartão de crédito lidera como a linha mais cara do país, com juros que ultrapassam 430% ao ano. Por isso, o governo aposta que o novo programa poderá aliviar o orçamento das famílias e, ao mesmo tempo, estimular a renegociação em larga escala.

