
A Páscoa ganhou desde o início do século passado significados ligados a ovos de chocolate, simbolizados por coelhos e celebrada principalmente por crianças. Mas o domingo sagrado para cristãos e judeus segue enaltecendo a tradição milenar, que remonta aos três dias entre a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, ocorridas no ano 33 DC.
A Páscoa tem origem no judaísmo antigo, e remonta aos tempos mais remotos da humanidade. Mais arde, foi adotada pelo cristianismo para marcar a ressurreição de Jesus Cristo. Os povos antigos celebravam a chegada da primavera e a renovação da natureza com festas e rituais. Antes da chegada do cristianismo, muitas culturas pagãs já celebravam a chegada da primavera com rituais de renovação e ressurreição da vida após o inverno. Essas celebrações foram incorporadas à tradição cristã.
Os cristãos assumem a festa da Páscoa como a passagem da paixão e morte de Jesus Cristo para a sua ressurreição e vitória eterna. “Em Jesus Cristo, se revela o mistério pascal da cruz e da ressurreição. A passagem que Jesus oferece à humanidade é do vazio e do absurdo para a plenitude do sentido. O mistério pascal celebra a vitória do impossível e a possibilidade do impensável. Em Jesus Cristo, a humanidade recebe a salvação de Deus, o perdão dos pecados e a vida que não conhece mais o fim”, explica diz dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo metropolitano de Santa Maria (RS), em comunicado oficial publicado nesta semana.
Na tradição católica, o tempo da Páscoa tem duração de 50 dias, celebrado entre o domingo da ressurreição, que acontece no tradicional dia de páscoa, até a solenidade de Pentecostes. Nesse período, o Círio Pascal permanece aceso em todas as celebrações, sendo apagado ao final da missa de Pentecostes. O Círio Pascal é uma vela grande especial que representa a luz de Cristo Ressuscitado.

“Na Páscoa cristã, celebramos o Cordeiro Pascal, Jesus Cristo, que se imolou uma vez por todas para nossa vida e salvação. Celebrar a Páscoa é entrar de coração na mãe de todas as celebrações litúrgicas, a Vigília Pascal na Noite Santa, proclamando aquele que é a luz do mundo e pelo qual damos graças a Deus”, explica também dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém do Pará (PA), em outro comunicado oficial da Igreja.
No judaísmo, a Páscoa tem seus próprios significados e interpretações. Para os Judeus, o termo “Páscoa” é derivado do hebraico “Pessach”, que significa passagem. A celebração da tradição judaica também conhecida como “festa da libertação” é a páscoa dos judeus. O momento faz memória à fuga do povo judeu, que vivia como escravo no Egito.
“O povo judeu deu um novo sentido a essa passagem. Na entrada da primavera, celebravam a Páscoa fazendo memória do anjo que passou pelas portas das casas dos hebreus, marcadas pelo sangue dos cordeiros e que poupou da morte os primogênitos deles, antes da travessia do Mar Vermelho, quando foram libertados da escravidão egípcia. Esta festa é celebrada ainda hoje entre as famílias israelitas”, segue nota publicada por dom Leomar.
O religioso explica que o simbolismo das antigas culturas pastoris e agrícolas adquiriu um novo significado. Ervas amargas, consumidas à noite pelos pastores, entre os judeus significam a lembrança do tempo difícil da escravidão. Já os pães sem fermento lembram a miséria no Egito. “É celebrada na primavera pois, no começo desta estação, Israel saiu do Egito. É uma festa noturna, porque o Êxodo se realizou em noite iluminada pela lua cheia”, conclui o arcebispo.
Uma das tradições mais antigas da Páscoa é o ovo, símbolo de fertilidade e renovação. Os antigos persas e egípcios já presenteavam ovos pintados nesta época do ano.
Na Mesopotâmia, a deusa Ishtar era homenageada com uma festa em que ovos eram tingidos de vermelho em referência à fertilidade.
Na Grécia Antiga, a deusa Deméter era homenageada com uma festa em que se comia pão feito com cereais novos em celebração à colheita. Na cultura judaica, a Páscoa era comemorada como uma festa da libertação da escravidão no Egito.
Com a vinda de Jesus Cristo, a Páscoa adquiriu um novo significado, tornando-se a celebração da ressurreição de Cristo e a vitória sobre a morte. A partir daí, a data passou a ser celebrada pelos cristãos em todo o mundo com rituais e tradições que simbolizam a renovação da vida, a vitória sobre a morte e a esperança de um novo começo.
O coelho também se tornou um símbolo da Páscoa por ser um animal conhecido por sua grande fertilidade e por representar a vida em renovação. A celebração da Páscoa foi instituída oficialmente pela Igreja Católica no século IV, mas sua data varia de acordo com a lua cheia e o equinócio de primavera, que marca o início da estação no hemisfério norte.
A Semana Santa, que antecede a Páscoa, também tem origem nas tradições cristãs e é marcada por celebrações em todo o mundo, incluindo procissões e representações teatrais da paixão e morte de Jesus Cristo.
Além da tradição religiosa, a Páscoa é também uma data comercial importante, com a venda de ovos de chocolate, coelhos de pelúcia e outros produtos relacionados.

