
Nesta segunda-feira (23), o aniversário de Florianópolis vai além da comemoração. Afinal, a capital carrega uma história viva e cheia de significados. Desde o início, a cidade começou a se formar ainda no século XVI, quando embarcações rumo à Bacia do Prata utilizavam a Ilha de Santa Catarina como ponto de parada para abastecimento de água e víveres. Assim, esse movimento constante abriu caminho para a ocupação permanente do território e, ao mesmo tempo, marcou o início de uma trajetória que segue até hoje.
Fundação e primeiros conflitos
Por volta de 1675, o bandeirante Francisco Dias Velho iniciou a colonização da ilha ao fundar o povoado de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. A partir desse marco, o local começou a ganhar relevância. Além disso, a região se fortaleceu politicamente e religiosamente com o avanço da ocupação. Nesse contexto, a construção da primeira capela marcou esse crescimento e, posteriormente, deu origem à atual Catedral Metropolitana de Florianópolis.
No entanto, a história já começou intensa. Em 1687, por exemplo, Dias Velho prendeu piratas e confiscou seus bens. Logo depois, no ano seguinte, os sobreviventes retornaram. Como consequência, destruíram o povoado e assassinaram o fundador. Assim, o resultado foi o abandono quase completo da região.
Ainda assim, a retomada veio décadas depois. Em 1712, o navegador francês Amédée-François Frézier encontrou cerca de 150 habitantes na ilha, liderados por Manoel Manso de Avelar. A partir desse momento, a ocupação ganhou novo fôlego e, gradualmente, voltou a se consolidar.
Vila estratégica e domínio português
Em 1726, Desterro foi elevada à categoria de vila. Pouco tempo depois, a Coroa Portuguesa percebeu o valor estratégico da ilha e decidiu militarizar a região para garantir domínio no sul do Brasil.
O responsável por essa missão foi José da Silva Paes, que comandou a construção de fortalezas, da Casa do Governo e da igreja matriz. Em 1748, chegaram os primeiros casais açorianos, que moldaram a cultura local até hoje.
Nesse período, a economia começou a girar. A agricultura se expandiu, a produção de algodão e linho cresceu e surgiram as armações baleeiras, principalmente no Sul da ilha. O óleo da baleia virou produto valioso para a Coroa Portuguesa.
Invasão espanhola e consolidação
Em 1777, tropas espanholas lideradas por Pedro de Cevallos invadiram a ilha. A ocupação durou pouco. No ano seguinte, o território foi devolvido a Portugal pelo Tratado de Santo Ildefonso.
Com o tempo, Desterro ganhou força. Em 1823, tornou-se cidade e iniciou um processo de modernização. A visita de Dom Pedro II, em 1845, simbolizou esse novo momento político e cultural.
Guerra, crescimento e mudança de nome
Durante a Guerra do Paraguai, moradores da cidade se alistaram e formaram o 25º Batalhão de Voluntários da Pátria. Ao mesmo tempo, a cidade consolidou sua posição como capital da província, recebendo investimentos em infraestrutura, como melhorias no porto e construção de prédios públicos.
Após a Proclamação da República do Brasil, um marco mudou a identidade da cidade. Em 1894, o nome Desterro foi substituído por Florianópolis, em homenagem ao marechal Floriano Peixoto.
Século XX e transformação urbana
O século XX trouxe mudanças profundas. A cidade cresceu impulsionada pela imigração de alemães e italianos no estado. Houve expansão urbana, instalação de redes de energia, água e esgoto, além do fortalecimento da economia com agricultura e pequenas indústrias.
Um dos maiores símbolos desse avanço surgiu com a construção da Ponte Hercílio Luz, que se tornou marco histórico e cartão-postal da capital.
Uma cidade moldada por resistência
Florianópolis não nasceu pronta. Foi forjada entre ataques, reconstruções, decisões estratégicas e movimentos de povoamento. Cresceu olhando para o mar, mas com os pés fincados na história.
Hoje, a cidade carrega no seu território as marcas dessa trajetória. Cada rua, cada fortaleza, cada tradição açoriana conta um capítulo dessa construção coletiva.
E no fim das contas, Florianópolis não é só um destino turístico. É uma narrativa viva de resistência, identidade e reinvenção.

