
Os deputados não gostaram nada do que definiram como uma busca desenfreada do governo de Jorginho Mello (PL) de obter o protagonismo na criação da Transferência Especial Voluntária (TEV). O projeto que cria um substituto do PIX do governo de Carlos Moisés da Silva (Republicanos) fará com que sejam pagos os recursos prometidos pelo governo anterior aos prefeitos para a realização de obras.
Os repasses serão contabilizados em um sistema e será exigida dos municípios a prestação de contas de todos os recursos transferidos em até 60 dias, contados a partir da última parcela. O fato é que o governo poderia ter saído maior, mas ao tentar tomar o protagonismo para si, sai menor e deixa algumas arestas para serem aparadas com a Alesc.
Na terça-feira da semana passada, os deputados Mauro De Nadal (MDB), Júlio Garcia (PSD), Marcos Vieira (PSDB) e Camilo Martins (Podemos) reuniram-se na sala da presidência da Alesc, para discutir uma forma de liberar os repasses de recursos que estão sendo aguardados pelos municípios desde o ano passado.
No dia seguinte, quarta-feira, eles convidaram o secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, o chefe da Casa Civil, Estêner Soratto Júnior, e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, José Nei Ascari. Os deputados cobraram dos secretários uma ação para o pagamento dos Pix aos prefeitos, dando início à construção da proposta.
Por isso, integrantes da Alesc sentiram-se incomodados. “O projeto nasceu no parlamento, que tem ajudado o governo que nos trata como coadjuvante”, disse-me um parlamentar.
Comissões fizeram os ajustes
Nesta quarta-feira (9), as Comissões de Constituição e Justiça, Finanças e Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa realizaram ajustes necessários ao projeto da TEV. As principais alterações foram o fim do teto de R$ 4 milhões e a possibilidade de o município utilizar o saldo, não sendo mais obrigado a devolver o excedente dos recursos ao governo.
Também serão considerados os repasses para obras não iniciadas. Um detalhe é que a liderança do governo não participou de nenhuma das reuniões promovidas pela Alesc. A ideia do governador Jorginho Mello (PL) era de continuar sentado no projeto, sem avaliar os prejuízos que isso causaria aos municípios, apenas para extinguir o chamado Pix do Moisés.
Moisés divide o Republicanos
O ex-governador Carlos Moisés da Silva, presidente estadual do Republicanos, causou grande constrangimento para o seu partido. Nesta quarta-feira (9), informei que ele buscou o ex-vereador Pedro Silvestre, o Pedrão (Progressistas), para se filiar aos Republicanos e se candidatar a prefeito pelo partido. A notícia surpreendeu os seus correligionários, que já deixaram claro que não abandonarão o projeto de reeleição do prefeito Topázio Neto (PSD).
Moisés, que contaria apenas com o apoio de um pastor chamado Flori, cuja única experiência política foi uma eleição para vereador em Florianópolis, na qual recebeu apenas 200 votos, poderá gerar uma rachadura no Republicanos com essa ação. Enquanto isso, Pedrão continua suas movimentações e já teria estabelecido contato com assessores de Topázio, se posicionando como uma possibilidade para o cargo de vice.
Dividiu
Nesta quarta-feira (9), o vereador de Florianópolis, Claudinei Marques (Republicanos), me disse durante uma visita que ele fez a Assembleia Legislativa que estará ao lado do prefeito Topázio Neto (PSD), independentemente dos desejos do presidente do Republicanos, o ex-governador Carlos Moisés da Silva. O fato é que Moisés terá que recuar se não quiser ficar sozinho no processo.
Para ter uma ideia, os republicanos, ligados à Igreja Universal, contam hoje com lideranças próximas ao eleitorado evangélico: o prefeito Topázio e Claudinei uniram-se, por exemplo, para apoiar a Marcha de Jesus, enquanto Moisés não foi chamado. Lideranças afirmam que Moisés continua sendo Moisés na falta de habilidade. “Moisés e suas teses. Primeiro, a tese do Avante, depois a do Lucas Esmeraldino e agora essa”, declarou.
Olimpicamente ignorado

Nesta quarta-feira (9), Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), esteve na Assembleia Legislativa. Ele chegou durante a sessão. Ao avistar a chegada de Renan, o deputado Jessé Lopes (PL), da ala radical, correu rapidamente ao microfone e anunciou a presença do filho de Bolsonaro. Entre os deputados, somente Antídio Lunelli (MDB) e Carlos Humberto Silva (PL) aplaudiram.
Do lado de fora, um bom número de pessoas assistia à sessão. No entanto, não houve aplausos; a saudação se limitou aos acompanhantes de Renan e aos assessores dos deputados bolsonaristas do PL. Ao contrário das expectativas, não houve busca por fotos com o “filho 04”, que foi ignorado pelas pessoas presentes. Ao perceberem que a visita ao parlamento não surtiu o efeito desejado, dirigiram-se a um dos gabinetes, onde permaneceram por um tempo antes de irem embora.
Nota da JetSmart
Na semana passada, divulguei o início das operações da JetSmart em Florianópolis e abordei os valores promocionais das passagens para Buenos Aires e Santiago, conforme informações da assessoria do Floripa Airport. No entanto, muitos leitores interessados em adquirir passagens acessaram o site da companhia e se depararam com preços significativamente mais altos do que os anunciados. Como resultado, recebi várias reclamações e isso me levou a entrar em contato com a companhia.
Explicação
“Prezado Marcelo Lula, em relação ao valor das passagens divulgadas na última semana, esclarecemos que trata-se de uma tarifa promocional que inclui a viagem para a cidade escolhida, em um assento aleatório, com uma mochila. Além disso, gostaríamos de destacar que os preços da JetSmart costumam ser pelo menos 35% mais acessíveis do que outras companhias aéreas porque seu modelo de negócio tem a capacidade de gerar economia aos passageiros, que pagam apenas pelos itens que precisam. A decisão de compra é do comprador que pode incluir no custo da sua passagem os opcionais que quiser, sejam bagagens, serviço de bordo, escolha de assento, entre outras. ” – Assessoria de Comunicação da JetSmart
Exportações
As exportações catarinenses fecharam julho em US$ 1 bilhão, valor 10,5% menor que o registrado no mesmo mês do ano anterior. As exportações nacionais também registraram queda, mas em menor magnitude, -3,1%. Segundo a Fiesc, o resultado no estado está associado à diminuição no montante comercializado dos principais produtos da pauta exportadora. Dentre as dez mercadorias mais vendidas internacionalmente, sete registraram recuo na análise interanual.

Marcelo Lula é jornalista e radialista. Atuou em emissoras de rádio e jornais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Atualmente, faz comentários na Condá FM de Chapecó e na Rede Guararema de Rádios.
O jornalista tem se destacado por furos de fatos de grande repercussão em Santa Catarina, além de matérias investigativas e revelações dos bastidores de importantes investigações e da política.

