
O Progressistas de Santa Catarina vive um conflito geracional. Deputados estaduais buscam a liderança do partido, e na capital, o ex-vereador Pedro Silvestre deseja ser o candidato a prefeito, mesmo não contando com a simpatia da família Amin. Ninguém diz abertamente, mas em conversas em off, a defesa é pela mudança nos rumos do partido.
Se, por um lado, há deputados e Pedrão, que está na Alesc para um mandato de 30 dias, por outro, temos o senador Esperidião Amin, a ex-deputada federal Ângela Amin, o ex-deputado estadual Silvio Dreveck e o secretário-executivo Aldo Rosa, que são simpáticos a uma presidência do ex-deputado Leodegar Tiskoski.
A divisão ficou clara quando Pedrão assumiu na Alesc. No ato de posse não teve nenhum representante da família Amin. Além disso, o senador Esperidião Amin escreveu uma mensagem em uma rede social para Pedrão, onde praticamente cobrou o reconhecimento de que ele teve a oportunidade de assumir por um período no parlamento, graças a um gesto do ex-deputado João Amin, que não barrou o nome de Pedrão na chapa de candidatos à Alesc.
Pedrão me disse que não entendeu a postagem do senador como uma crítica, pois ficou na frente de João Amin no número de votos e que isso lhe oportunizou assumir por um período na Alesc. Falou que respeita os Amin e destacou que reúne todas as condições para ser o candidato a prefeito de Florianópolis e que não abrirá mão desse espaço, deixando um claro recado.
Questionado sobre a relação com a família Amin, Pedrão diz reconhecer a importância e a contribuição já dada por eles à política. A fala do hoje deputado estadual, que se refere aos Amin no passado, é concluída com “é o momento de o partido oxigenar”, afirmou.
Pelo visto, o Progressistas, partido que conta com grandes lideranças, sobretudo Esperidião Amin, um dos expoentes da política nacional, terá que superar essa diferença de geração antes de pensar em voltar a ter um projeto estadual.
Quer a cabeça
O deputado estadual Pedro Silvestre, o Pedrão (Progressistas), fez questão de me dizer que não tem o interesse de ser vice do ex-senador Dário Berger (PSB), e que o seu projeto é de ser candidato a prefeito de Florianópolis. Uma chapa com Berger e Pedrão foi aventada quando Berger esteve na Alesc para acompanhar a posse de Pedrão.
Inviabilizou
A fala do deputado estadual Edilson Massocco (PL) na tribuna da Assembleia Legislativa gerou um grande mal-estar entre deputados do PL e dos demais partidos. Massocco fez críticas às viagens de parlamentares e até às diárias. Mais de um parlamentar me disse que ficou muito difícil uma volta de Massocco para a liderança. “O governador terá que escolher um outro nome. O Massocco perdeu as condições de diálogo com os colegas de parlamento”, me disse um dos deputados.
Perguntar não ofende
A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa tem como obrigação analisar o aspecto constitucional, legal e jurídico dos projetos e apresentar a redação final das proposições. Como pode ter sido aprovada a concessão do título de cidadão catarinense ao ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), se há uma lei estadual que impede a concessão a quem estiver inelegível? Os deputados não observaram a legislação?
Lela é o nome do PT
Em reunião na noite desta quinta-feira (5), o Partido dos Trabalhadores de Florianópolis escolheu o ex-vereador Vanderlei Farias, o Lela, como seu pré-candidato a prefeito da capital. O nome será apresentado à Frente Brasil da Esperança e posteriormente à Frente Popular de 2022. Os petistas trabalharão para liderar a nova frente. A defesa do governo Lula (PT) é um dos motivos que embasam a decisão de ter candidato, ou seja, o partido não abrirá mão da cabeça de chapa.
Homenagem contestada
A procuradora do Ministério Público Ana Lúcia Hartmann deve ser homenageada pelo deputado estadual Marcos Abreu, o Marquito (PSOL), no final do ano. É uma tradicional honraria da Assembleia Legislativa para pessoas que se destacam em sua área. Acontece que a escolha de Marquito motivou algumas críticas no meio político, já que ela pediu o cancelamento do licenciamento da obra de engordamento da praia de Jurerê, além de ter pedido alguns embargos de obras como no caso da Ponte da Lagoa. A última foi a retirada de quadras de areia na orla, espaço usado pela comunidade. “Como que alguém que é contra o desenvolvimento de Florianópolis pode ser homenageada?”, questionou uma liderança.
Troca na procuradoria
A partir de hoje, a Procuradoria Jurídica de Florianópolis terá novo comando. Christiane Egger Catuccio, que era procuradora adjunta do município, assume interinamente após o pedido de exoneração de Ubiraci Farias. O agora ex-procurador já havia feito o pedido ao prefeito há alguns meses, mas Topázio Neto (PSD) pediu que antes fossem concluídos processos importantes para a cidade. Disputas judiciais como a Ponte da Lagoa e Naufragados foram lideradas por Farias. Na próxima semana, Topázio anunciará o novo comando da procuradoria municipal.
Krelling candidato?
O deputado estadual Fernando Krelling (MDB) realizou em Joinville mais uma edição de um tradicional carreteiro para arrecadar fundos para o esporte amador. Mais de 2.500 pessoas participaram do evento que ocorreu no kartódromo internacional. O que chamou a atenção é que os presentes provocaram Krelling para disputar a Prefeitura de Joinville.
Boletim do PSD
O PSD lançou um boletim quinzenal com informações de todas as regiões do Estado sobre o partido. O case de comunicação foi apresentado à cúpula da sigla em Brasília, ontem, e aprovado pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. “O PSD catarinense sai na frente com essa ação. É um exemplo que deve inspirar nosso partido em outros Estados”, disse Kassab. O presidente dos pessedistas em SC, Eron Giordani, assina um editorial no informativo quinzenal que será enviado a todos os filiados.
Renda Básica Energética
Um projeto de lei de autoria do deputado federal Pedro Uczai (PT) prevê a criação do programa Renda Básica Energética, que propõe mudanças no sistema de atendimento dos beneficiários da Tarifa Social de Energia Elétrica, com o fortalecimento da produção de energias limpas e renováveis no país. Todos os anos, são recolhidos em média R$ 6 bilhões através da CDE e, de acordo com o parlamentar, este recurso poderia ser utilizado para a criação de usinas solares em todo o território brasileiro, produzindo energia para as mais de 17 milhões de famílias beneficiárias da TSE.

Marcelo Lula é jornalista e radialista. Atuou em emissoras de rádio e jornais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Atualmente, faz comentários na Condá FM de Chapecó e na Rede Guararema de Rádios.
O jornalista tem se destacado por furos de fatos de grande repercussão em Santa Catarina, além de matérias investigativas e revelações dos bastidores de importantes investigações e da política.

