
Durante a posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (12), em Brasília, um gesto de cordialidade entre Michelle Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes provocou forte reação entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ex-primeira-dama cumprimentou Moraes com abraço e beijo no rosto, diante de autoridades dos Três Poderes. A cena rapidamente virou alvo de críticas nas redes sociais e entre setores conservadores.
Moraes é visto por grande parte do bolsonarismo como o principal responsável pela condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Relator do processo que resultou na pena de 27 anos e 3 meses de prisão ao ex-presidente, o ministro se consolidou como figura central nos embates com a direita conservadora, sobretudo após investigações sobre aliados de Bolsonaro e os atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
Gesto protocolar amplia desconforto entre aliados
Por isso, embora o cumprimento tenha seguido o rito institucional da solenidade, muitos bolsonaristas reagiram com irritação. Parte da base considerou a aproximação excessiva, especialmente pelo histórico de críticas públicas de Michelle ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao próprio Moraes.
Enquanto alguns aliados saíram em defesa da ex-primeira-dama e alegaram que ela manteve postura diplomática em um evento oficial, setores mais radicais classificaram o gesto como inadequado diante de quem consideram o “algoz” político e judicial de Bolsonaro.
Além disso, Michelle também conversou durante a cerimônia com Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, o que reforçou ainda mais a repercussão do encontro.
Assim, a cena revelou mais uma vez como a polarização política transforma até interações protocolares em motivo de tensão dentro da própria base bolsonarista.

