
O advogado-geral da União, Jorge Messias, passou nesta quarta-feira (29) pela sabatina no Senado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Desde o início da sessão, senadores concentraram perguntas sobre aborto legal, principalmente por causa de manifestações anteriores da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre a interrupção da gravidez após 22 semanas nos casos previstos em lei.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Messias após a saída de Luís Roberto Barroso da vaga aberta no Supremo. Agora, ele precisa ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e, na sequência, pelo plenário do Senado para assumir oficialmente a cadeira na Corte.
Aborto vira foco da sessão
Logo nas primeiras horas da sabatina, parlamentares da oposição elevaram o tom e colocaram o aborto no centro do debate. O principal alvo foi um parecer da AGU que apoiou a contestação de uma resolução do Conselho Federal de Medicina, que limitava a interrupção legal da gravidez após 22 semanas de gestação.
Diante da pressão, Messias respondeu de forma direta. Ele afirmou que não defende a ampliação do aborto além das situações já previstas pela legislação brasileira. Além disso, reforçou que sua atuação na AGU seguiu o papel institucional do cargo e não uma posição pessoal.
Com isso, o indicado tentou desmontar a narrativa de que teria uma militância ideológica sobre o tema. Ao mesmo tempo, buscou transmitir equilíbrio e segurança diante de um assunto que costuma incendiar o debate político no Congresso.
Estratégia para reduzir desgaste
Além de responder sobre aborto, Messias também trabalhou para afastar ruídos políticos em torno de sua indicação. Ele destacou que um ministro do STF precisa atuar com independência, respeito à Constituição e responsabilidade institucional.
A fala teve um objetivo claro: reduzir resistências e evitar que a discussão sobre temas sensíveis dominasse toda a avaliação de seu nome. No Senado, cada palavra pesa, e cada silêncio também.
Por isso, a sabatina foi além de uma simples análise técnica. Ela virou um teste político de alto nível, com forte atenção do Palácio do Planalto e da oposição.
Caminho até a cadeira no Supremo
Jorge Messias é procurador da Fazenda Nacional e atualmente comanda a AGU no governo Lula. Antes disso, ele ganhou projeção nacional durante o governo de Dilma Rousseff e voltou ao centro do cenário político ao assumir a Advocacia-Geral da União.
Agora, a expectativa do governo é garantir uma aprovação sem grandes surpresas. Ainda assim, a sabatina mostrou que o caminho até o STF passa muito mais pelo campo político do que apenas pelo currículo jurídico.
No Senado, toga também enfrenta tempestade. E nesta terça-feira, o clima foi de forte turbulência.

