
O governo federal adiou, nesta quarta-feira (8), em Brasília, a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que poderia autorizar o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. O encontro estava marcado para as 9h, no Ministério de Minas e Energia, mas foi cancelado sem nova data. Com isso, a decisão sobre a elevação do percentual de 30% para 32% segue indefinida.
Governo empurra decisão para nova data
A reunião desta quarta-feira tinha peso político, econômico e ambiental. O CNPE discutiria uma medida acompanhada de perto pelo setor de combustíveis, pelos produtores de etanol e pelo próprio governo. Afinal, a mudança pode alterar a composição da gasolina vendida nos postos e ampliar o uso de biocombustível no país.
No entanto, o Ministério de Minas e Energia cancelou o encontro e ainda não explicou oficialmente o motivo. A pasta também não informou quando o conselho voltará a analisar o tema. Portanto, a proposta continua na mesa, mas sem prazo para votação.
Segundo a CNN Brasil, o adiamento ocorreu em meio a outras pautas sensíveis da área energética. Entre elas estão a política de comercialização do gás natural da União e a repactuação de dívidas de Angra 3. Assim, o governo decidiu segurar a reunião e evitar uma deliberação em meio a impasses internos.
Terceiro adiamento aumenta pressão
Este foi o terceiro adiamento de uma reunião que poderia tratar do aumento da mistura de etanol na gasolina. A análise estava prevista desde maio. Primeiro, o governo alegou ajustes de agenda. Depois, a pauta voltou a travar. Agora, novamente, o Executivo empurrou a decisão.
A proposta prevê elevar a mistura de etanol anidro de 30% para 32%. Na prática, a gasolina comum passaria a receber uma fatia maior de biocombustível. Esse novo modelo ficou conhecido como E32.
Além disso, o tema ganhou força depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em abril, a intenção de ampliar o uso de biocombustíveis no país. Na ocasião, o governo também defendeu o aumento da mistura de biodiesel no diesel. Mesmo assim, a mudança depende de decisão formal do CNPE.
Ministério defende avanço do biocombustível
O Ministério de Minas e Energia defende o aumento da mistura. Para a pasta, a medida fortalece a produção nacional de etanol, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda o país na transição energética.
Além disso, o governo vê o E32 como uma forma de proteger o Brasil das oscilações do preço internacional do petróleo. Essa preocupação cresceu com novas tensões no Oriente Médio, que pressionaram o mercado global de combustíveis.
Nesse cenário, o Executivo tenta apresentar o etanol como uma saída estratégica. O combustível tem produção nacional, movimenta a cadeia sucroenergética e emite menos gases de efeito estufa que os derivados de petróleo.
Setor ainda cobra segurança técnica
Apesar da defesa do governo, parte do setor de combustíveis ainda cobra avaliações técnicas mais detalhadas. Distribuidoras e especialistas querem garantias sobre desempenho dos veículos, consumo, emissões e compatibilidade da nova mistura.
Quando o Brasil elevou a mistura para 30%, em 2025, o governo realizou testes para avaliar os efeitos da mudança. Agora, para avançar de 30% para 32%, o Ministério de Minas e Energia entende que não precisa repetir toda a bateria de ensaios.
Ainda assim, o adiamento mostra que o tema continua sensível. De um lado, o governo quer acelerar o uso de biocombustíveis. De outro, precisa evitar ruídos no mercado e responder às dúvidas técnicas antes de anunciar a mudança.
Lei permite mistura maior
A ampliação da mistura de etanol ganhou respaldo com a Lei do Combustível do Futuro. A norma permite elevar o teor de etanol anidro na gasolina comum até 35%.
Portanto, o governo já tem base legal para avançar. Mesmo assim, cada aumento precisa passar pelos órgãos competentes. Por isso, a reunião do CNPE se tornou decisiva para destravar o E32.
Segundo estimativas do Ministério de Minas e Energia, a nova mistura pode reduzir a importação de gasolina em cerca de 450 milhões de litros por ano. A pasta também calcula que o país pode evitar a emissão de aproximadamente 552 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente.
Impacto no preço preocupa governo
A discussão também passa pelo preço dos combustíveis. Como a gasolina pesa no bolso do consumidor e influencia a inflação, qualquer mudança na sua composição exige cuidado político.
Por isso, o governo tenta equilibrar dois objetivos. Primeiro, quer fortalecer a produção nacional de etanol e ampliar a presença dos biocombustíveis. Depois, precisa garantir que a medida não provoque instabilidade no mercado nem gere impacto negativo para os motoristas.
Com o novo adiamento, a gasolina segue com 30% de etanol anidro. Enquanto isso, produtores, distribuidoras e consumidores aguardam a próxima reunião do CNPE. Até lá, o aumento para 32% permanece em compasso de espera, embora o governo continue tratando a medida como prioridade na política energética.

