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Gilmar critica Fachin e acirra tensão no STF

Ministro reage a decisões da presidência do Supremo e aponta paralisação de julgamentos importantes

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Gilmar critica Fachin e acirra tensão no STF
Foto: Fellipe Sampaio

O ministro Gilmar Mendes criticou publicamente o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, após mudanças na tramitação de processos dentro da Corte. A manifestação aconteceu nesta quinta-feira (14), em Brasília, e revelou mais um capítulo da tensão interna no STF. Gilmar afirmou que a “não decisão” de temas relevantes está se tornando uma marca da presidência de Fachin.

Crítica direta e novo atrito

O conflito começou quando Fachin endureceu as regras para petições protocoladas em processos já arquivados. Agora, esses pedidos precisam passar primeiro pela análise da presidência do STF, do coordenador de processamento inicial e também da Secretaria Judiciária antes de seguirem ao relator.

Nos bastidores, ministros interpretaram a medida como um recado direto a Gilmar Mendes. Isso porque a mudança veio logo após uma decisão de Gilmar em um processo ligado à CPI da Covid-19, que já estava parado havia meses.

O despacho gerou forte incômodo dentro da Corte. Parte dos ministros avaliou que a decisão não tinha ligação direta com o objeto principal do processo e poderia funcionar como uma blindagem ao ministro Dias Toffoli. Com isso, o clima no Supremo ficou ainda mais pesado.

Gilmar lista processos parados

Na mensagem enviada a Fachin, Gilmar não economizou palavras. Ele citou uma série de julgamentos importantes que foram interrompidos nos últimos meses por pedidos de destaque feitos pela presidência do tribunal.

Entre os temas citados estão a exploração mineral em terras indígenas, a revisão da vida toda do INSS e o projeto Ferrogrão, assuntos que impactam diretamente milhões de brasileiros e setores estratégicos da economia.

Segundo Gilmar, chama atenção a quantidade de processos relevantes que deixaram de avançar por decisão da presidência. Para ele, essa paralisação enfraquece o funcionamento da Corte, aumenta a insegurança jurídica e desgasta ainda mais a imagem institucional do Supremo.

Crise interna e desgaste público

As novas regras fazem parte de um conjunto de medidas adotadas por Fachin para reduzir o desgaste público do STF e reorganizar o fluxo interno dos processos. O presidente também defende uma atuação mais rígida para preservar a credibilidade da Corte.

Por outro lado, aliados de Gilmar afirmam que essas decisões acabam expondo ministros e ampliando divisões que já existem dentro do tribunal. Para esse grupo, Fachin deveria ter levado o debate ao plenário administrativo antes de tomar medidas mais duras.

O episódio mostra que o Supremo vive muito mais do que julgamentos públicos. Nos corredores, a disputa por influência segue intensa. E em Brasília, quando o silêncio termina, o eco costuma durar bastante.

Redação Guararema News

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