
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma investigação sigilosa para apurar o possível uso irregular de emendas parlamentares no financiamento do filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão amplia a pressão sobre aliados do PL e reacende o debate sobre o destino de recursos públicos.
STF concentra apuração sobre repasses
Dino decidiu desmembrar a apuração para analisar de forma específica os repasses destinados ao longa e verificar se houve desvio de finalidade no uso das emendas parlamentares. A investigação corre sob sigilo e mira a origem dos recursos que chegaram à produtora responsável pelo projeto.
Além disso, o caso cita parlamentares ligados ao bolsonarismo, entre eles Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. Agora, o Supremo quer entender se houve favorecimento político ou uso indevido de verba pública.
Filme vira foco de desgaste político
Ao mesmo tempo, o filme “Dark Horse” se transformou em um novo ponto de tensão dentro do cenário político nacional. Isso porque áudios divulgados recentemente mostram o senador Flávio Bolsonaro pedindo apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para concluir a produção.
Segundo as informações reveladas, o valor solicitado teria chegado a R$ 134 milhões. No entanto, os comprovantes conhecidos até agora apontam repasses de cerca de R$ 61 milhões. Com isso, a obra deixou de ser apenas um projeto audiovisual e passou a ocupar o centro de uma crise política.
Produção já acumulava polêmicas
Antes mesmo da decisão do STF, o longa já enfrentava questionamentos. O filme narra a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018 e escala o ator Jim Caviezel para interpretá-lo.
Além disso, surgiram denúncias sobre condições de trabalho durante as gravações e dúvidas sobre a origem dos recursos usados na produção. Agora, com a entrada formal do Supremo no caso, o projeto ganha um novo capítulo, desta vez no campo judicial.
A investigação pode afetar diretamente o futuro do filme e também aumentar a pressão sobre nomes importantes do grupo bolsonarista. Quando o dinheiro público entra no roteiro, a história deixa de ser cinema e vira caso de Justiça.

