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Alcolumbre promulga PL da Dosimetria e nova lei reduz penas

Texto entra em vigor após Lula deixar prazo constitucional expirar e pode impactar condenações ligadas ao 8 de Janeiro

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Alcolumbre promulga PL da Dosimetria e nova lei reduz penas
Foto: Divulgação

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), promulgou nesta sexta-feira (8) o PL da Dosimetria, depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou vencer o prazo constitucional de 48 horas para formalizar a medida. Com isso, a nova lei segue para publicação no Diário Oficial da União e já passa a valer, abrindo espaço para a redução de penas de condenados por tentativa de golpe de Estado, inclusive envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Nova regra muda cálculo das penas

A nova legislação altera diretamente a forma como a Justiça calcula as penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Agora, quando houver prática simultânea de tentativa de abolir o Estado Democrático e golpe de Estado dentro do mesmo contexto, a Justiça deverá aplicar apenas a pena mais grave, e não mais a soma das duas punições.

Na prática, isso reduz o tempo total de prisão de réus já condenados e também interfere em processos que ainda estão em andamento. Além disso, a mudança pode alcançar tanto executores quanto possíveis articuladores da trama golpista, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Por isso, o texto ganhou forte peso político e jurídico dentro e fora de Brasília.

Lula vetou, mas Congresso derrubou

O Congresso aprovou o projeto no fim de 2025. Logo depois, Lula vetou integralmente a proposta durante a cerimônia que marcou a lembrança dos ataques de 8 de janeiro. Na ocasião, o Palácio do Planalto argumentou que o texto era inconstitucional e colocava em risco a defesa da democracia brasileira, já que enfraquecia a resposta penal contra crimes de ruptura institucional.

Mesmo assim, o Congresso reagiu. No último dia 30, deputados e senadores derrubaram o veto com ampla maioria e devolveram força total ao projeto.

A partir desse momento, Lula tinha 48 horas para promulgar a norma. Como isso não aconteceu dentro do prazo, a Constituição transferiu automaticamente essa responsabilidade para Davi Alcolumbre, que assinou a promulgação nesta sexta-feira.

Governo avalia reação no STF

Apesar da promulgação, o embate está longe de acabar. Agora, o governo federal avalia acionar o Supremo Tribunal Federal para tentar barrar a validade da nova legislação.

Nos bastidores, integrantes do Planalto tratam o episódio como mais uma derrota política dentro do Congresso. A leitura é clara: o governo perdeu força em uma pauta sensível e viu o Parlamento avançar sobre um tema de forte repercussão institucional.

Além disso, a derrubada do veto ocorreu logo após outra derrota simbólica, a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF, o que aumentou ainda mais a tensão entre Executivo e Legislativo.

Debate sobre democracia segue aceso

A nova lei reacendeu um debate delicado no país. De um lado, o governo defende que a mudança enfraquece a proteção das instituições democráticas e abre margem para flexibilizar punições graves.

Do outro, parlamentares afirmam que o texto apenas corrige excessos e garante mais proporcionalidade na aplicação das penas, evitando condenações consideradas desproporcionais.

Enquanto isso, o tema segue no centro da crise política em Brasília. Quando o assunto envolve golpe, democracia e Congresso, o silêncio nunca dura muito.

Redação Guararema News

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