
A Petrobras pode elevar o preço da gasolina nas refinarias caso o governo reduza impostos sobre combustíveis, segundo a presidente Magda Chambriard afirmou nesta terça-feira (28). A medida permitiria aumentar a margem da estatal sem impacto direto no valor final ao consumidor, mantendo os preços estáveis mesmo com possíveis ajustes internos.
Possível reajuste sem impacto direto
Na prática, a medida pode abrir espaço para que a empresa aumente sua margem sem alterar o preço final ao consumidor. Isso ocorre porque o valor do combustível inclui custos operacionais, tributos federais — como PIS/Cofins — e a margem da companhia.
Assim, se o governo reduzir esses impostos, a estatal poderá ajustar sua participação no preço, mantendo o valor final estável nas refinarias.
Exemplo de como funcionaria
Por exemplo, se o preço total for composto por R$ 1,80 da Petrobras e R$ 0,70 de tributos, a gasolina sairia por R$ 2,50. No entanto, se os impostos caírem para R$ 0,50, a empresa poderia elevar sua margem em R$ 0,20 sem alterar esse valor final.
Dessa forma, a mudança aumentaria o lucro da companhia, mas reduziria a chance de repasse ao consumidor nas bombas.
Projeto do governo
Além disso, o governo propôs um projeto para usar receitas extras do petróleo na redução de tributos sobre combustíveis. Segundo Chambriard, essa proposta pode permitir ajustes internos nos preços, sem impacto direto para distribuidoras e consumidores.
“A medida abre margem para reajustes da Petrobras, mas não para o consumidor”, afirmou a executiva.
Cenário atual
Por outro lado, a presidente destacou que a empresa não enfrenta pressão imediata para reajustar os preços. Isso porque o Brasil produz grande parte da gasolina que consome, o que reduz a dependência de importações.
Ainda assim, o país importa mais diesel, enquanto a gasolina conta com o apoio do etanol, que complementa a oferta no mercado interno.

