Região Mundo

Semaglutida aumenta o risco de depressão? Estudo traz nova resposta

Meta-análise não identificou aumento significativo de depressão, ansiedade ou comportamento suicida, mas pesquisadores ainda recomendam atenção

Autor
Semaglutida aumenta o risco de depressão? Estudo traz nova resposta
Foto: Divulgação / Internet

Uma nova análise científica não encontrou uma relação clara entre o uso de semaglutida e o aumento do risco de depressão. Além disso, os pesquisadores não identificaram crescimento significativo nos casos de ansiedade, pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio.

A revista científica Clinical Obesity publicou o estudo em agosto de 2026. Para chegar à conclusão, os cientistas reuniram ensaios clínicos, pesquisas observacionais, grandes bancos de dados médicos e notificações de possíveis efeitos adversos.

Embora os resultados tragam algum alívio, os autores fizeram um alerta importante. A ausência de uma associação estatística não comprova que a semaglutida esteja completamente livre de riscos psiquiátricos.

O que o estudo descobriu?

Os pesquisadores compararam pacientes que usaram semaglutida com pessoas que receberam placebo ou outros tratamentos.

A análise apresentou os seguintes resultados:

  • risco relativo de 1,25 para depressão;
  • risco relativo de 1,22 para ansiedade;
  • risco relativo de 1,20 para pensamentos ou tentativas de suicídio.

Apesar de os números aparecerem acima de 1, os resultados não alcançaram significância estatística. Isso significa que a análise não conseguiu confirmar uma diferença real entre os grupos.

Portanto, com os dados disponíveis, os pesquisadores não demonstraram que a semaglutida aumenta o risco de depressão, ansiedade ou comportamento suicida.

Por que os pesquisadores ainda pedem cautela?

Os estudos reunidos apresentaram diferenças muito grandes nos métodos, nos participantes e nos resultados. A heterogeneidade chegou a 98% para depressão, 99% para ansiedade e 92% para pensamentos ou tentativas de suicídio.

Na prática, esses índices mostram que as pesquisas não caminharam na mesma direção. Algumas apontaram um possível aumento do risco. Outras, no entanto, não encontraram diferença ou até sugeriram benefícios para a saúde mental.

Além disso, os cientistas incluíram notificações espontâneas de efeitos adversos. Embora esses relatos ajudem a identificar possíveis sinais de segurança, eles podem trazer informações incompletas e não comprovam que o medicamento causou o problema.

Por isso, os autores consideraram os resultados tranquilizadores, mas não definitivos. Em outras palavras, o estudo não detectou aumento comprovado do risco. Porém, também não descartou completamente a possibilidade de efeitos psiquiátricos em alguns pacientes.

Por que a semaglutida entrou nessa discussão?

A semaglutida ganhou espaço no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. O princípio ativo aparece em medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, além de versões mais recentes lançadas no mercado.

Com o crescimento do uso, pacientes e profissionais de saúde passaram a relatar mudanças de humor, sintomas depressivos e pensamentos suicidas. A partir daí, pesquisadores e órgãos reguladores começaram a investigar uma possível relação.

Entretanto, os estudos publicados até agora apresentam resultados diferentes. Enquanto algumas pesquisas encontraram sinais de risco, outras indicaram efeito neutro ou até uma possível redução de problemas psiquiátricos.

Essa divergência, portanto, explica por que os cientistas ainda evitam uma conclusão definitiva.

O que dizem os órgãos reguladores?

A agência reguladora dos Estados Unidos revisou ensaios clínicos, estudos observacionais e grandes bancos de dados. Depois disso, o órgão informou que não encontrou associação entre medicamentos agonistas de GLP-1 e pensamentos ou comportamentos suicidas.

No entanto, a agência reconheceu que os estudos registraram poucos casos. Por esse motivo, os especialistas ainda não conseguem excluir completamente um risco pequeno.

Assim, os órgãos reguladores continuam acompanhando notificações e novos estudos sobre o tema.

O paciente deve interromper o tratamento?

Não. O paciente não deve suspender a semaglutida sem orientação médica. A interrupção pode prejudicar o controle do diabetes, favorecer a recuperação do peso e comprometer o tratamento.

Por outro lado, quem perceber mudanças persistentes no humor deve procurar atendimento. Os principais sinais de alerta incluem:

  • tristeza intensa ou prolongada;
  • perda de interesse por atividades;
  • ansiedade forte;
  • isolamento social;
  • alterações repentinas de comportamento;
  • pensamentos de morte ou suicídio.

Além disso, pessoas com histórico de depressão, ansiedade ou comportamento suicida devem informar essas condições ao médico antes de começar o uso. Dessa forma, o profissional poderá avaliar os riscos e acompanhar possíveis mudanças.

A meta-análise foi publicada na revista Clinical Obesity. A FDA também divulgou sua avaliação sobre a segurança psiquiátrica dos medicamentos GLP-1.

Palavra-chave de foco: semaglutida e depressão

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

Ver todas as matérias de Ismael Melo