
O padre Luciano Braga Simplício acionou a Justiça contra Globo, Record e SBT e pediu R$ 300 mil por danos morais às emissoras. A defesa apresentou a ação após um vídeo mostrar o religioso na companhia da noiva de um fiel dentro da casa paroquial de Nova Maringá, em Mato Grosso. Além da indenização, o sacerdote quer retirar reportagens e gravações da internet, pois afirma que a repercussão provocou ataques virtuais e comprometeu seu trabalho.
Defesa aponta prejuízos à rotina do padre
Os advogados de Luciano afirmam que as emissoras estimularam um “linchamento virtual” ao exibir o vídeo em programas jornalísticos e divulgar o caso nas plataformas digitais.
Segundo a defesa, a repercussão alterou completamente a rotina do religioso. Além disso, o padre alega que passou a enfrentar abordagens constantes nas ruas e ataques nas redes sociais. Por isso, sustenta que já não consegue exercer normalmente suas atividades.
A defesa também classifica o episódio como um mal-entendido. Ao mesmo tempo, afirma que a divulgação em grande escala atingiu a honra, a privacidade e a imagem pública do sacerdote. Dessa forma, os advogados cobram a retirada dos conteúdos e uma compensação financeira pelos danos alegados.
Justiça determinou retirada de conteúdos
Inicialmente, a 2ª Vara de São José do Rio Claro, em Mato Grosso, acolheu parte do pedido do padre. Assim, a Justiça determinou que as emissoras retirassem vídeos e reportagens indicados no processo. Além disso, a decisão restringiu novas publicações sobre o episódio.
No entanto, a Globo recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A emissora argumentou que a ordem limitava a liberdade de imprensa e poderia configurar censura prévia.
Em seguida, o Tribunal suspendeu parcialmente as restrições. A decisão afastou a proibição ampla de novas publicações e o monitoramento automático de conteúdos. Contudo, manteve, até a análise definitiva do recurso, a retirada dos endereços eletrônicos já identificados pela primeira instância.
Portanto, a disputa continua aberta. O recurso deve entrar na pauta de uma sessão virtual da Primeira Câmara de Direito Privado do TJMT entre terça-feira (14) e quinta-feira (16). Até o momento, a Justiça ainda não julgou definitivamente o pedido de indenização.
Vídeo ganhou repercussão nacional
O caso começou em outubro de 2025. Na época, imagens gravadas dentro da residência paroquial de Nova Maringá circularam rapidamente pelas redes sociais. O vídeo mostrava Luciano e uma jovem de 21 anos no imóvel ligado à paróquia.
Logo depois, o padre negou qualquer relacionamento amoroso ou sexual com a mulher. Em áudios divulgados após o episódio, ele afirmou que a jovem havia trabalhado na igreja durante a manhã e pediu autorização para tomar banho em um quarto anexo.
Ainda segundo o religioso, pessoas começaram a bater na porta enquanto ele também tomava banho. Por isso, conforme sua versão, a mulher entrou na residência assustada e tentou se esconder. O padre declarou que não manteve qualquer encontro íntimo com ela.
Diocese adotou medidas canônicas
Após a divulgação das imagens, a Diocese de Diamantino informou que tomou conhecimento do caso. Além disso, a instituição declarou que adotaria as medidas canônicas previstas para apurar a conduta do sacerdote.
A ação judicial, protocolada na terça-feira (28) de outubro de 2025, também envolve pedidos relacionados à privacidade e à identificação de responsáveis pela publicação das imagens. A defesa sustenta que pessoas invadiram a residência paroquial e gravaram o material sem autorização.
Por outro lado, as emissoras defendem o direito de informar fatos de interesse público. A Globo também afirma que utilizou informações fornecidas por fontes oficiais e por pessoas ligadas ao episódio. As redes de televisão, no entanto, informaram que não comentam processos em andamento.
Agora, o Tribunal de Justiça deverá avaliar os limites entre a proteção da intimidade do padre e a liberdade de imprensa. Enquanto isso, o pedido de R$ 300 mil permanece sem decisão definitiva.

