
A proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 ganhou força no debate nacional e já enfrenta resistência de representantes do agronegócio, da indústria e do comércio. Nesta segunda-feira (15), lideranças desses setores criticaram a rigidez da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), defenderam mais flexibilidade nas regras e alertaram para possíveis impactos econômicos em diferentes áreas do país.
Setores pedem mudanças no texto
Enquanto parlamentares discutem a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias consecutivos de descanso, empresários intensificam as críticas ao texto.
Segundo representantes do setor produtivo, a proposta desconsidera a realidade de atividades que funcionam em horários contínuos ou dependem de períodos específicos de produção. Por isso, eles defendem negociações que permitam adaptar as jornadas às necessidades de cada segmento.
Além disso, as entidades afirmam que uma regra única pode dificultar a gestão das empresas e aumentar os custos operacionais.
Agronegócio vê risco para produção
No campo, produtores e lideranças do agronegócio afirmam que a mudança pode afetar diretamente o planejamento das atividades rurais.
Afinal, plantios, colheitas e outras operações seguem condições climáticas e calendários próprios. Dessa forma, o setor entende que limitar a organização das escalas pode reduzir a eficiência das equipes justamente nos momentos mais importantes da produção.
Por isso, representantes do segmento reforçam a necessidade de preservar a liberdade de negociação entre empregadores e trabalhadores.
Comércio teme aumento de despesas
Ao mesmo tempo, o comércio também demonstra preocupação. Associações ligadas ao setor supermercadista afirmam que a redução da jornada exigirá novas contratações para manter lojas abertas durante todo o expediente.
Consequentemente, a folha de pagamento poderá aumentar. Em seguida, esse custo tende a chegar ao consumidor por meio do reajuste dos preços.
Além disso, empresários lembram que muitos estabelecimentos já enfrentam dificuldades para preencher vagas e encontrar mão de obra disponível.
Indústria alerta para efeitos na economia
Na indústria, a avaliação segue a mesma linha. Representantes do setor afirmam que reduzir a jornada sem diminuir os salários elevará o custo por hora trabalhada.
Como resultado, empresas poderão repassar parte dessas despesas aos produtos e serviços. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que esse movimento pode pressionar a inflação e reduzir a competitividade da indústria brasileira diante de concorrentes internacionais.
Ainda segundo as entidades, mudanças dessa magnitude exigem estudos aprofundados e uma implementação capaz de considerar as diferenças entre os setores econômicos.
Discussão deve continuar no Congresso
Enquanto sindicatos e defensores da PEC sustentam que jornadas menores podem melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e até elevar a produtividade, empresários insistem na necessidade de ajustes no texto.
Assim, o debate sobre o fim da escala 6×1 deve ganhar novos capítulos nas próximas semanas. Até lá, governo, parlamentares, trabalhadores e representantes do setor produtivo continuarão negociando uma proposta que equilibre direitos trabalhistas, geração de empregos e sustentabilidade econômica.

