
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou nesta quarta-feira (20) que a Câmara dos Deputados explique, em até 48 horas, a viagem internacional do deputado Mário Frias ao Bahrein e aos Estados Unidos. A cobrança ocorreu depois que um oficial de Justiça tentou localizar o parlamentar várias vezes e não conseguiu notificá-lo em uma investigação que apura o envio de emendas parlamentares para uma ONG ligada à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
STF tenta localizar deputado e encontra desencontro de informações
Primeiro, o oficial de Justiça buscou contato com o gabinete de Mário Frias. Em seguida, tentou falar diretamente com o deputado. No entanto, nenhuma das tentativas avançou. Em uma das respostas, uma secretária informou que o parlamentar estava em missão internacional e sem previsão de retorno ao Brasil.
Além disso, o servidor foi até o endereço registrado por Frias em Brasília. Lá, o porteiro afirmou que o deputado não mora no local há cerca de dois anos. Diante da sequência de desencontros, Flávio Dino decidiu agir e cobrou explicações formais da Câmara dos Deputados.
Agora, o STF quer entender oficialmente onde o parlamentar está, qual a natureza da viagem e se houve comunicação formal da ausência ao Congresso Nacional.
Viagem internacional amplia repercussão política
Enquanto a investigação avança, a viagem de Mário Frias ganhou repercussão política em Brasília. Em entrevista ao SBT News, o deputado afirmou que esteve no Bahrein para buscar investimentos para o Brasil. Depois disso, seguiu para os Estados Unidos, onde participou de agendas ligadas à segurança pública.
Ao mesmo tempo, Frias negou qualquer tentativa de fugir da Justiça. Segundo ele, a viagem estava programada e o retorno ao Brasil deve ocorrer nos próximos dias.
Ainda assim, a dificuldade para encontrá-lo elevou a pressão sobre o caso e colocou o nome do deputado novamente no centro do debate político.
Investigação envolve filme sobre Jair Bolsonaro
A investigação em andamento no STF apura o destino de R$ 2 milhões em emendas parlamentares enviados ao Instituto Conhecer Brasil. De acordo com a apuração, a entidade teria ligação com a produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, obra que conta a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Além disso, Mário Frias aparece como produtor-executivo do longa. Por isso, o caso passou a ser analisado pelo Supremo após representação apresentada pela deputada Tabata Amaral.
Nos bastidores, a situação ganhou ainda mais força depois que o site The Intercept divulgou um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro. Na gravação, ele pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o projeto cinematográfico.
Depois da divulgação, Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que as conversas envolviam apenas recursos privados.
Defesa tenta reduzir impacto do caso
Enquanto o caso repercute no STF e no Congresso, Mário Frias insiste que não houve irregularidade no envio das emendas parlamentares. Segundo o deputado, um parecer da Advocacia da Câmara não identificou problemas formais na destinação dos recursos.
Mesmo assim, a investigação continua. Agora, o Supremo aguarda as respostas oficiais da Câmara dos Deputados para decidir os próximos passos da apuração.
Com isso, o caso amplia a pressão sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e reacende o debate sobre fiscalização, transparência e uso de dinheiro público em projetos culturais ligados à política.

