
O hantavírus voltou a chamar atenção após a confirmação de dois casos no Paraná e a investigação de infecções registradas em um cruzeiro internacional. No entanto, especialistas afirmam que, apesar da gravidade da doença, não há indícios de risco para uma nova pandemia.
Segundo o infectologista Alexandre Naime, da Unesp, o vírus não se comporta como doenças respiratórias clássicas, como Covid-19 e influenza. Isso porque a transmissão acontece, principalmente, pelo contato com partículas contaminadas por urina, fezes e saliva de roedores.
Além disso, o médico explica que a infecção costuma ocorrer em ambientes fechados e pouco ventilados, como galpões, depósitos, porões, silos e embarcações.
“O hantavírus não possui transmissão sustentada entre pessoas. Normalmente, os casos aparecem em surtos localizados ligados à exposição ambiental”, afirmou o especialista.
Casos em cruzeiro levantam investigação
As autoridades de saúde também investigam um possível surto relacionado a um cruzeiro marítimo. De acordo com Naime, uma das hipóteses aponta que passageiros tenham inalado partículas contaminadas durante a limpeza de áreas fechadas frequentadas por roedores.
Além disso, investigadores avaliam se algumas pessoas já embarcaram infectadas após exposição anterior ao vírus.
Segundo o médico, identificar o local exato da contaminação é fundamental para evitar novos casos e permitir a limpeza adequada dos ambientes.
Doença pode provocar quadros graves
Embora os casos sejam considerados raros, o hantavírus pode causar complicações graves. Nas Américas, a forma mais comum da doença provoca insuficiência respiratória e falência cardíaca.
Inicialmente, os sintomas se parecem com os de uma gripe forte, incluindo febre alta, dores no corpo, mal-estar, náuseas e vômitos. No entanto, em situações mais graves, os pacientes podem apresentar falta de ar, hemorragias e falência de órgãos.
Além disso, especialistas alertam que a taxa de mortalidade pode chegar a 80% ou 90% sem tratamento intensivo. Mesmo em UTIs, os índices permanecem elevados.
Atualmente, não existe antiviral específico contra o hantavírus. Por isso, médicos realizam apenas tratamento de suporte intensivo, com ventilação mecânica e controle das complicações.
Como prevenir o hantavírus
Especialistas recomendam evitar contato com fezes e urina de roedores, além de manter ambientes limpos e ventilados.
Além disso, autoridades orientam a população a:
- vedar frestas e possíveis entradas de ratos;
- evitar varrer locais fechados e empoeirados;
- utilizar máscaras e luvas durante limpezas;
- armazenar alimentos corretamente;
- eliminar entulhos e focos de infestação.
Enquanto isso, a Secretaria de Saúde do Paraná informou que monitora continuamente os casos suspeitos e reforçou que a doença segue controlada no estado.

