
Na quinta-feira (02), no Centro de Florianópolis, a Guarda Municipal removeu diversos veículos após as 18h, nas imediações do Mercado Público, durante uma operação de fiscalização de trânsito. O caso ganhou repercussão após um motorista relatar a situação ao portal Guararema News e apontar prejuízos, surpresa e dificuldades para retirar os carros.
Motorista relata ação rápida e impacto direto
Segundo um motorista de Florianópolis, que procurou o portal Guararema News, mais de seis guinchos atuaram ao mesmo tempo na região. Em poucos minutos, agentes removeram diversos veículos enquanto motoristas realizavam compras no Mercado Público.
Ele afirma que estacionou rapidamente para comprar peixe, mas, ao retornar, já não encontrou o carro. Além disso, ele relata que turistas de estados como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre também tiveram veículos removidos, muitos com malas, remédios e pertences pessoais dentro.
Ainda de acordo com o motorista, a Guarda Municipal informou que a retirada só poderia ocorrer na segunda-feira (06). Com isso, muitos motoristas passaram a temer prejuízos, principalmente aqueles que dependem do carro para trabalhar ou viajar.
Prefeitura reforça legalidade da operação
Por outro lado, a Guarda Municipal afirma que a operação segue a legislação e integra uma estratégia para melhorar a fluidez do trânsito em áreas de grande circulação.
Além disso, o órgão destaca que a sinalização na região é clara e proíbe o estacionamento em vagas destinadas a ônibus e carga e descarga. Portanto, veículos estacionados de forma irregular estão sujeitos à remoção imediata.
A Prefeitura também esclarece que a legislação não exige funcionamento contínuo dos pátios para retirada de veículos.
Lei permite remoção e cobrança de diárias
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, autoridades podem remover veículos estacionados de forma irregular. Além disso, o proprietário só consegue retirar o carro após pagar as taxas de guincho e as diárias no pátio.
Mesmo quando o pátio não funciona para atendimento ao público, a cobrança continua válida. Isso acontece porque a diária considera o tempo de permanência do veículo, e não o horário de funcionamento.
Enquanto isso, projetos de lei em tramitação tentam mudar essa regra. No entanto, até agora, nenhuma alteração entrou em vigor.
Retirada exige pagamento e documentação
Em Florianópolis, os pátios operam com retirada em horário comercial, geralmente das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira. Para liberar o veículo, o proprietário precisa apresentar documentos, quitar débitos no Detran e pagar as taxas.
Atualmente, o valor do guincho gira em torno de R$ 320, enquanto a diária ultrapassa R$ 70 para automóveis. Além disso, pagamentos feitos por aplicativo podem demorar para compensar, o que pode atrasar ainda mais a liberação.
Fiscalização acende debate na cidade
Se a fiscalização funciona 24 horas e pode retirar veículos inclusive nos fins de semana, surge um problema evidente. O cidadão tem o carro guinchado no sábado ou no domingo, mas muitas vezes não consegue retirar porque os pátios ou setores responsáveis operam em horário limitado, fechados até o próximo dia útil.
Na prática, isso cria um desequilíbrio. O poder público atua sem pausa para penalizar, mas não oferece a mesma disponibilidade para resolver o problema. Resultado, o veículo fica retido por mais tempo, os custos aumentam e o cidadão paga a conta dessa diferença.
E aí vem a pergunta que incomoda. Se a estrutura existe para fiscalizar a qualquer hora, por que não existe para atender e liberar o veículo no mesmo ritmo? Quando a regra funciona só para um lado, deixa de ser apenas fiscalização e passa a ser um problema e falta de coerência.
Simples assim, quando a máquina pública acelera na punição e freia no atendimento, quem fica parado é o cidadão.

