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Polícia vê homicídio qualificado em caso de menino de 4 anos morto na Capital

Laudo confirma agressões; casal deve ser indiciado

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Polícia vê homicídio qualificado em caso de menino de 4 anos morto na Capital
Foto: TATIANA MAKSIMOVA / GETTY IMAGES

A Polícia Civil deverá indiciar a mãe e o padrasto de Moisés Falk da Silva, de 4 anos, por homicídio duplamente qualificado. No dia 17 de agosto, o menino teria sido levado ao hospital, em Florianópolis, com diversos hematomas e em parada cardiorrespiratória. Infelizmente, ele não resistiu. A suspeita era de que a criança havia sido vítima de maus-tratos.

O casal acabou preso logo após a confirmação da morte de Moisés. A mãe foi para casa após audiência de custódia por estar grávida, enquanto o padrasto teve a prisão convertida para preventiva.

O laudo da causa da morte revelou que o menino foi vítima de uma hemorragia causada por traumatismo na região do tórax, provocado por um instrumento contundente. Além disso, a criança apresentava hematomas pelo corpo e uma mordida no rosto, o que já havia levantado a suspeita de espancamento.

O indiciamento por homicídio duplamente qualificado se justifica pelo uso de meio cruel e pelo fato de a vítima ser menor de 15 anos. A polícia afirma que as evidências encontradas corroboram as suspeitas iniciais de maus-tratos. A força de segurança tem 10 dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo à Justiça.

Relembre o caso Moisés

O menino chegou ao Multi Hospital, no bairro Carianos, já inconsciente. Vizinhos o teriam levado, incluindo uma enfermeira que, ao notar a ausência de respiração e pulso, iniciou manobras de reanimação, porém, sem sucesso. Após quase uma hora de tentativas da equipe médica, os médicos confirmaram o óbito.

De acordo com a equipe, o que motivou o acionamento da polícia foram os hematomas espalhados pelo corpo de Moisés. Havia marcas de agressão no rosto, abdômen e costas, com indícios de socos, mãos e até mesmo uma possível mordida. Segundo os médicos, os ferimentos não tinham uma explicação clínica para uma morte tão repentina.

Testemunhas relataram um comportamento estranho e contraditório do padrasto, Richard. Uma enfermeira o descreveu como “apático” e sem demonstrar “envolvimento emocional” com a situação. Um funcionário do hospital contou que o homem chegou a “fingir um desmaio” ao receber a notícia da morte da criança, mas se levantou rapidamente. Outra vizinha, acionada pela mãe, afirmou que Richard parecia “gelado” e, no caminho para o hospital, apenas disse que o menino “tinha comido bolacha com leite”.

Em seu depoimento à polícia, Richard Rodrigues afirmou que o enteado vinha com febres e que, naquele dia, havia perdido a consciência subitamente. Ele pediu ajuda aos vizinhos para levá-lo ao hospital.

Histórico de agressões

A mãe, Larissa de Araújo Falk, disse que havia saído de casa para trabalhar às 6h da manhã e soube pelo companheiro sobre o estado grave do filho. No entanto, o segurança do hospital relatou ter presenciado Larissa chegando desesperada e confrontando Richard com a frase: “tu vais ver se acontecer algo ruim com meu filho”.

O pai biológico da criança, que se separou de Larissa há cerca de um ano, confirmou que o filho já apresentava febres altas e manchas pelo corpo, mas nunca soube a causa. Ele disse que o tratamento era acompanhado apenas pela mãe.

Vizinhos revelaram ainda que a família já estava sob acompanhamento do Conselho Tutelar devido a suspeitas de maus-tratos anteriores. Diante das contradições nos depoimentos e dos claros indícios de violência, a Polícia Civil decretou a prisão de Richard e Larissa.