
A Polícia Civil vai rastrear as contas bancárias que receberam transferências via PIX destinadas à mulher de 37 anos presa em Joinville, no Norte de Santa Catarina, após ela fingir ser uma adolescente de 12 anos e conquistar a confiança de uma família que a acolheu por mais de um ano.
A Justiça decretou a prisão preventiva de Amanda Maria Souza de Oliveira na quarta-feira (3). Ela confessou ter assumido uma identidade falsa e agora responde por estelionato e falsa identidade.
Suspeita recebeu ajuda financeira antes de morar com a família
Segundo a investigação, Amanda conheceu as vítimas por meio de uma igreja há pouco mais de um ano. Inicialmente, ela afirmou ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos e violência sexual. Com isso, sensibilizou membros da comunidade religiosa e recebeu apoio financeiro.
Em seguida, a mulher simulou uma fuga e permaneceu fora da cidade por algumas semanas. Mesmo distante, manteve contato com a família por mensagens e continuou pedindo dinheiro.
Posteriormente, ela informou que queria retornar para Joinville. A família então pagou as despesas da viagem e passou a acolhê-la em casa.
Polícia busca identificar terceiros
De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, Amanda indicava contas bancárias de outras pessoas para receber parte dos valores enviados pelas vítimas.
Por isso, a Polícia Civil agora tenta identificar quem são os titulares dessas contas e verificar se houve participação de terceiros no golpe.
Até o momento, porém, os investigadores não encontraram indícios de envolvimento direto de outras pessoas no esquema.
Família custeou despesas por mais de um ano
Durante os 14 meses em que viveu com a família, Amanda não teria solicitado novas transferências em dinheiro. Ainda assim, os moradores assumiram gastos com alimentação, moradia, medicamentos e outras necessidades do dia a dia.
Além disso, a mulher recebeu diversos cuidados compatíveis com a idade que dizia ter. A família organizou uma festa de aniversário de 12 anos, montou um quarto decorado com brinquedos e adquiriu itens infantis para ela.
Parente desconfiou da história
A farsa chegou ao fim na terça-feira (2), quando uma familiar começou a desconfiar da versão apresentada por Amanda.
Após pesquisar na internet, ela encontrou registros de golpes semelhantes praticados pela suspeita em outros estados. Em seguida, alertou a família, que procurou a Polícia Civil.
A investigação revelou que Amanda já utilizava o mesmo método em diferentes locais do país. Segundo o delegado, ela costumava se apresentar como adolescente, adotava nomes falsos e construía histórias para conquistar a confiança das vítimas.
Em Joinville, ela se apresentou como “Gabriele” e passou a ser chamada de “Gabi” pelos familiares que a acolheram.
Comunidade religiosa também foi enganada
Além da família, a polícia considera que integrantes da igreja e o pastor da comunidade também foram vítimas do golpe.
Conforme a investigação, todos acreditaram na história contada por Amanda e se mobilizaram para ajudá-la quando ela chegou à cidade.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

