
Uma sequência de episódios violentos colocou moradores e forças de segurança em alerta na comunidade do Papaquara, no Norte de Florianópolis. Em menos de uma semana, ataques armados, trocas de tiros e confrontos com a polícia resultaram na morte de seis pessoas. Diante desse cenário, a Polícia Civil passou a investigar se as ocorrências têm relação entre si.
Inicialmente, os investigadores trabalham com a hipótese de que os episódios estejam ligados a disputas entre organizações criminosas que atuam na região. Ainda assim, as autoridades ressaltam que, por enquanto, é cedo para confirmar qualquer conexão direta entre os crimes.
O capitão Bruno Morais, do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), explica que, até o momento, os registros indicam ocorrências aparentemente independentes. Segundo ele, apenas investigações mais aprofundadas — como a análise de celulares e outros materiais apreendidos — poderão esclarecer a origem dos acontecimentos.
Ataque armado na comunidade
O primeiro caso ocorreu na madrugada de sábado (28), por volta das 3h. Na ocasião, quatro homens entraram na comunidade do Papaquara em uma caminhonete e, em seguida, efetuaram diversos disparos contra moradores, conforme informou a Polícia Militar.
Os tiros atingiram um homem, que chegou a ser socorrido e encaminhado à UPA Norte. No entanto, ele não resistiu aos ferimentos e morreu.
Durante o atendimento da ocorrência, policiais localizaram a caminhonete suspeita e, logo depois, iniciaram o acompanhamento do veículo até o bairro Rio Vermelho. Ao perceberem a aproximação da polícia, os ocupantes abandonaram o carro e correram em direção a uma área de mata.
Nesse momento, segundo a corporação, um dos suspeitos disparou contra os policiais. Diante da agressão, os agentes reagiram e atingiram o homem, que morreu no local. Enquanto isso, outros dois suspeitos fugiram para a mata e ainda não foram localizados.
Durante a ação, os policiais apreenderam uma pistola HK calibre 9 mm com numeração suprimida. A ocorrência foi registrada como homicídio doloso, morte decorrente de confronto com agente público em serviço e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
Veículos incendiados em delegacia
Dias depois, na madrugada de terça-feira (3), outro episódio voltou a mobilizar as autoridades. Criminosos incendiaram dois veículos no pátio da Central de Plantão Policial (CPP), em Florianópolis. Entre os automóveis destruídos pelo fogo estava justamente a caminhonete utilizada no homicídio registrado no Papaquara dias antes.
Imagens de câmeras de segurança mostram quatro homens chegando ao local por volta das 2h. Primeiro, eles estacionaram um carro nas proximidades da delegacia. Em seguida, três suspeitos encapuzados entraram no pátio enquanto um permaneceu no veículo. Logo depois, o grupo ateou fogo nos automóveis.
Após a ação, os criminosos fugiram em direção ao Morro da Penitenciária. Posteriormente, a polícia encontrou o carro utilizado na fuga abandonado.
O delegado Pedro Mendes, diretor de polícia da Grande Florianópolis, afirma que a principal hipótese aponta para uma ligação entre o incêndio e o homicídio ocorrido no fim de semana.
Confronto com o BOPE termina com quatro mortos
Na quarta-feira (4), uma nova ocorrência mobilizou equipes policiais na mesma região. Após receber denúncias de que homens armados efetuavam disparos na comunidade, a Polícia Militar acionou equipes do BOPE.
Durante as diligências e a progressão tática na área, os policiais relataram que os suspeitos abriram fogo contra as equipes. Diante da agressão, os agentes reagiram.
Os tiros atingiram quatro homens durante o confronto. O socorro médico chegou a ser acionado, mas todos morreram no local.
Após a operação, os policiais apreenderam quatro armas de fogo, 242 munições de diversos calibres, cinco celulares, quatro powerbanks, quatro rádios comunicadores, duas bases carregadoras, roupas utilizadas para fuga e cerca de 20 gramas de maconha.
Enquanto isso, a Polícia Civil continua investigando os episódios. O objetivo é esclarecer se os crimes fazem parte de uma mesma sequência de ações criminosas ou se ocorreram de forma isolada.

