
Mais da metade das mulheres brasileiras que matém relacionamentos com homens afirmam ter sofrido algum tipo de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. É o que mostra a pesquisa “20 anos da Lei Maria da Penha”, divulgada nesta quarta-feira (29), em São Paulo. O levantamento indica que 54% das entrevistadas, o equivalente a cerca de 47,7 milhões de brasileiras, relataram episódios de violência física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.
Violência psicológica lidera os casos
Segundo a pesquisa, a violência psicológica aparece como a forma de agressão mais frequente. Ao todo, 42% das mulheres afirmaram ter passado por esse tipo de situação.
Além disso, 25% relataram violência física. Outras 19% disseram ter sofrido violência moral. Já 10% citaram violência sexual, enquanto 9% afirmaram ter enfrentado violência patrimonial. Os dados reforçam que a violência contra a mulher vai muito além das agressões físicas.
Homens admitem agressões
O estudo também ouviu homens que mantiveram relacionamentos com mulheres. Entre eles, 7% admitiram espontaneamente ter cometido algum tipo de violência contra uma parceira ou ex-parceira.
Quando os entrevistadores citaram situações específicas previstas na Lei Maria da Penha, esse percentual subiu para 11%. Segundo o levantamento, muitos homens ainda não reconhecem determinadas atitudes como violência e costumam justificar esse comportamento.
Parceiros concentram a maioria das agressões
A pesquisa mostra que 88% das mulheres entrevistadas apontaram parceiros ou ex-parceiros como os principais autores das agressões.
O levantamento ouviu mil mulheres e 500 homens com 16 anos ou mais, entre os dias 22 e 30 de abril. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.
Medo ainda dificulta denúncias
Embora a maioria das mulheres afirme que acionaria a polícia ao presenciar uma agressão, o medo continua sendo um dos principais obstáculos para denunciar.
Segundo o estudo, 68% das entrevistadas disseram temer represálias do agressor. Além disso, 56% demonstraram receio da impunidade e 39% apontaram a demora da Justiça como fator que desestimula a denúncia.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que a população conhece amplamente a Lei Maria da Penha. Mesmo assim, 80% das mulheres acreditam que a legislação não funciona como deveria. Outras 82% consideram que ela ainda é insuficiente para enfrentar a violência doméstica de forma eficaz.
Lei completa 20 anos em 2026
Criada para prevenir e combater a violência doméstica e familiar, a Lei Maria da Penha completa 20 anos em 2026. A legislação recebeu o nome da farmacêutica Maria da Penha, que sobreviveu a duas tentativas de homicídio praticadas pelo então marido e se tornou símbolo da luta pelos direitos das mulheres no Brasil.
Os dados do levantamento mostram que a violência contra a mulher continua sendo um desafio no país. Além disso, reforçam a necessidade de ampliar a prevenção, fortalecer a rede de proteção e incentivar as denúncias.

