Região Brusque / Itajaí

Operação desmonta esquema de venda ilegal de terrenos da Celesc

Grupo anunciava lotes em área invadida e cobrava mensalidades de ocupantes

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Operação desmonta esquema de venda ilegal de terrenos da Celesc
Foto: Arquivo - Divulgação / Prefeitura de Itajaí - Polícia Civil

A Polícia Civil deflagrou uma operação nesta terça-feira (23) para desarticular uma quadrilha suspeita de comercializar ilegalmente terrenos pertencentes à Celesc na região do bairro São Roque, zona rural de Itajaí.

Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em Itajaí, Ilhota e Camboriú e recolheram documentos, celulares e comprovantes de pagamento que podem ampliar a lista de investigados.

Segundo as investigações, o grupo atuava como uma verdadeira imobiliária clandestina. Os suspeitos anunciavam os terrenos em redes sociais e atraíam compradores de diferentes estados do país. Além disso, cobravam mensalidades dos ocupantes, mesmo sem qualquer direito sobre as áreas comercializadas.

Terrenos eram vendidos por até R$ 100 mil

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos ofereciam lotes localizados em uma área pública pertencente à Celesc por valores entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. Em muitos casos, as vítimas vinham de estados como Rio Grande do Sul, Pará, Bahia e Pernambuco e desconheciam completamente a situação irregular dos terrenos.

Além da venda ilegal, os investigados exigiam pagamentos mensais que variavam entre R$ 500 e R$ 1 mil dos moradores que ocupavam a área. Dessa forma, o esquema gerava lucro contínuo para o grupo enquanto a ocupação irregular avançava.

Embora a operação não tenha resultado em prisões nesta fase da investigação, os policiais consideram o material apreendido fundamental para aprofundar as apurações e identificar outros participantes da organização.

Seis suspeitos já foram identificados

Até o momento, a Polícia Civil identificou seis integrantes da quadrilha. No entanto, os investigadores acreditam que o esquema possui uma estrutura maior e conta com a participação de outros envolvidos.

Por isso, a análise dos celulares, contratos e registros financeiros apreendidos deve revelar novas conexões e apontar o papel de cada suspeito dentro da organização.

O inquérito apura crimes de estelionato, associação criminosa, furto de energia elétrica e crimes ambientais. Caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder por diversas infrações penais.

Prefeitura retoma demolições na área invadida

Enquanto a investigação policial avança, a Prefeitura de Itajaí retomou as demolições de construções erguidas irregularmente nos terrenos ocupados. A medida foi autorizada após a administração municipal obter uma liminar judicial favorável na semana passada.

As demolições começaram em maio e atingiram inicialmente 16 imóveis da comunidade. Conforme a prefeitura, a ação busca impedir a expansão de novas ocupações e frear a comercialização clandestina de lotes.

Além disso, o município afirma que a operação não tem como foco famílias em situação de vulnerabilidade social. Segundo a administração, o objetivo é evitar que a ocupação irregular avance e provoque impactos sociais ainda mais complexos no futuro.

Investigação continua

Agora, os investigadores concentram esforços na análise do material recolhido durante a operação. A expectativa é que as provas revelem novos participantes e ajudem a dimensionar o alcance do esquema que transformou áreas públicas em fonte de lucro ilegal.

Enquanto isso, a Polícia Civil mantém as investigações abertas e não descarta novas operações nos próximos meses.

Murilo José

Sobre o autor

Murilo José

Jornalista do Guararema News, atua na região do médio Vale do Itajaí e Litoral Norte. Suas pautas geralmente são direcionadas a assuntos factuais que tem impacto no dia a dia da comunidade. Murilo também atua com reportagens especiais em projetos autorais. Além disso, também contribui com conteúdo esportivo.

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