
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) libertou duas mulheres submetidas a condições análogas à escravidão em Santa Catarina. As ações ocorreram em Benedito Novo, no Vale do Itajaí, e na capital, Florianópolis. Ambas as ofensivas contaram com o apoio de órgãos de segurança pública e de defesa dos direitos humanos.
Caso em Benedito Novo
No município de Benedito Novo, os agentes públicos resgataram uma mulher de 40 anos em uma propriedade rural. A vítima, que apresenta sinais de neurodivergência, sofria exploração doméstica praticada pelos próprios familiares desde a infância. Assim, ela cresceu sem acesso a salário, direitos trabalhistas ou autonomia.
A força-tarefa, que reuniu MTE, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho (MPT) e Defensoria Pública da União (DPU), iniciou as investigações após denúncias. No local, os familiares da trabalhadora tentaram impedir o acesso das autoridades e ameaçaram os policiais com facas. Apesar da resistência, os agentes contiveram os agressores e retiraram a vítima da residência.
Ademais, a fiscalização constatou o isolamento social da mulher e condições precárias de moradia. Na mesma propriedade, os auditores interditaram uma serraria clandestina. O estabelecimento mantinha cinco operários informais sem registro, sem equipamentos de segurança (EPIs) e expostos a graves riscos em máquinas artesanais.
Resgate de trabalho escravo na capital
Paralelamente, a Inspeção do Trabalho localizou uma trabalhadora doméstica etíope, de 34 anos, em um condomínio fechado no bairro Rio Tavares, área nobre de Florianópolis. Um casal formado por um brasileiro e uma árabe contratou a vítima em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e a trouxe ao Brasil sem visto de trabalho regular.
Na residência, a mulher cumpria jornadas exaustivas das 7h às 22h30, inclusive aos finais de semana. Ela acumulava a limpeza, o preparo das refeições e os cuidados com os filhos e animais de estimação da família. Além disso, os patrões retiveram o seu passaporte, restringindo a sua liberdade de locomoção.
A trabalhadora sofria violência psicológica constante, com gritos e tentativas de agressão física. Diante disso, ela fugiu do local durante a noite apenas com as roupas do corpo e um celular. A vítima caminhou pelas ruas até conseguir ajuda de pedestres por meio de um aplicativo de tradução. Posteriormente, a rede de assistência social acolheu a mulher e acionou o MTE.
Mesmo após a fuga, os empregadores enviaram mensagens com ameaças e condicionaram a devolução dos documentos ao pagamento de supostas dívidas de viagem. Os órgãos públicos intervieram para garantir a proteção e os direitos da cidadã estrangeira.
Encaminhamentos e denúncias
As equipes de assistência social e saúde encaminharam ambas as vítimas para abrigamento seguro e atendimento psicológico especializado. Em seguida, as autoridades trabalhistas e policiais instauraram os procedimentos legais para cobrar as verbas devidas e responsabilizar criminalmente os envolvidos.
um

