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MPSC denuncia 14 pessoas por organização neonazista em SC

Grupo teria estrutura hierárquica, encontros presenciais e atuação em plataformas digitais, segundo o Ministério Público

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MPSC denuncia 14 pessoas por organização neonazista em SC
Foto: Divulgação - pexels - Agora Floripa

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou 14 pessoas por suposta participação em uma organização criminosa neonazista que, segundo as investigações, atuava em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. A 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital protocolou a denúncia na Justiça, que agora analisará o caso. Se o Judiciário aceitar a acusação, os investigados passarão à condição de réus em uma ação penal.

Conforme o Ministério Público, o grupo mantinha uma estrutura organizada, com divisão de funções, regras internas e atuação permanente. Além disso, os integrantes teriam utilizado plataformas digitais e encontros presenciais para difundir ideologias extremistas, discursos de ódio e conteúdos de apologia ao nazismo.

Investigação aponta liderança e funções definidas

De acordo com a denúncia, a organização possuía uma cadeia de comando estruturada. Entre os investigados estão o suposto líder do grupo, identificado internamente como “Führer brasileiro”, seu principal auxiliar, uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo, um policial militar paulista e um advogado que, segundo o MPSC, teria prestado suporte jurídico aos demais membros.

Além deles, outras nove pessoas também foram denunciadas. Todos responderão por suposta participação em organização criminosa. Paralelamente, oito investigados também foram denunciados por crimes relacionados ao racismo e à apologia ao nazismo.

Enquanto reuniam provas, as equipes da 39ª e da 40ª Promotorias de Justiça da Capital atuaram em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio do CyberGAECO.

Grupo teria usado internet para espalhar conteúdos extremistas

Segundo as investigações, a internet funcionava como uma das principais ferramentas de atuação da organização. Os integrantes, conforme a denúncia, criavam e compartilhavam conteúdos extremistas em fóruns e plataformas digitais. Além disso, utilizavam perfis falsos para ampliar o alcance das publicações e dificultar a identificação dos responsáveis.

Ao mesmo tempo, o grupo promovia discursos de intolerância racial, religiosa, política e sexual. Dessa forma, os investigadores concluíram que a atuação virtual fazia parte de uma estratégia contínua de disseminação da ideologia defendida pelos integrantes.

Além das atividades online, os promotores identificaram encontros presenciais periódicos. Nessas reuniões, os participantes discutiam formas de fortalecer a organização, ampliar a divulgação das ideias do grupo e atrair novos integrantes.

Mensalidades financiariam atividades do grupo

As investigações também apontam que a organização mantinha uma estrutura interna semelhante à de uma associação formal. Para isso, os integrantes utilizavam fichas de cadastro, produziam camisetas exclusivas e cobravam mensalidades dos membros considerados oficiais.

Segundo o Ministério Público, os valores arrecadados ajudavam a financiar materiais de divulgação e outras atividades internas. Com isso, o grupo conseguia manter sua estrutura operacional e ampliar suas ações.

Além disso, os investigadores identificaram mecanismos de segurança digital utilizados para evitar o rastreamento das atividades e dificultar a atuação das autoridades.

Denúncia cita monitoramento de adversários ideológicos

Outro ponto destacado na denúncia envolve ações chamadas pelos próprios integrantes de “rolês”. Conforme a apuração, o termo era utilizado para designar deslocamentos em grupo destinados ao monitoramento de espaços públicos e à identificação de pessoas consideradas adversárias ideológicas.

Além disso, os investigadores encontraram indícios da produção de dossiês sobre possíveis alvos. Segundo o Ministério Público, essas práticas demonstram o grau de organização e planejamento atribuído ao grupo.

Operação cumpriu 21 mandados em quatro estados

A denúncia é resultado da Operação Nuremberg, deflagrada em 31 de outubro de 2025. Na ocasião, as forças de segurança cumpriram 21 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.

As diligências ocorreram simultaneamente em Florianópolis, Jaraguá do Sul, Cocal do Sul, São Paulo, Campinas, Osasco, Taboão da Serra, Curitiba, Araucária, São José dos Pinhais e Aracaju.

Durante as buscas, os agentes apreenderam materiais relacionados à apologia ao nazismo. Além disso, recolheram armas brancas, facas e socos ingleses que estavam em posse dos investigados.

Justiça decidirá sobre abertura da ação penal

Segundo a denúncia, a organização utilizava como símbolo o chamado “Sol Negro”, imagem historicamente associada ao ocultismo nazista e a movimentos supremacistas. Além disso, o emblema exibia a figura de um fuzil AK-47, apontado pelos investigadores como parte da identidade visual adotada pelo grupo.

Por fim, o Ministério Público destacou que o nome Operação Nuremberg faz referência aos julgamentos realizados após a Segunda Guerra Mundial, marcados pela responsabilização de integrantes do regime nazista por crimes cometidos durante o conflito.

Agora, a Justiça analisará o conteúdo da denúncia e decidirá se aceita ou não as acusações apresentadas pelo Ministério Público. Até essa decisão, os investigados permanecem na condição de denunciados e terão direito à ampla defesa e ao contraditório.

Alice Soares

Sobre o autor

Alice Soares

Alice atua na cobertura do Guararema News na região da Grande Florianópolis. Com foco em temas do cotidiano de quem vive na região, a jornalista contribui com apuração e pesquisa de notícias nacionais, incluindo temas voltados ao entretenimento.

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