
O Tribunal do Júri de São Bento do Sul julga, nesta quinta-feira (18), a servidora pública Soeni Cardoso Borges, de 54 anos. Ela responde pelo assassinato do marido, Carlos Emir Meier, de 48 anos, ocorrido em dezembro de 2020. O caso ganhou repercussão nacional porque o casal, unido há 26 anos e pai de dois filhos, atuava de forma voluntária como Papai e Mamãe Noel. De acordo com o Judiciário, a sessão começou às 9h da manhã e a ré enfrenta a acusação de homicídio qualificado por motivo fútil.
O estopim do crime de Mamãe Noel
A denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) aponta que o crime aconteceu cinco dias antes do Natal, por volta das 23h, na casa da família, no bairro São Miguel, em Campo Alegre. Horas antes, o casal havia distribuído presentes para crianças carentes na zona rural da região.
No entanto, a harmonia acabou quando os dois retornaram ao lar. Eles iniciaram uma forte discussão por causa de um vazamento na máquina de lavar roupas, que alagou a lavanderia e a cozinha. Durante a troca de ofensas, a mulher pegou uma faca e golpeou o tórax do marido, que não resistiu ao ferimento.
Defesa apresenta laudo de agressão
Por outro lado, a advogada de defesa, Camila Vizoto, afirma que o episódio não pode ser analisado de forma isolada. A defensora sustenta que Soeni sofria agressões físicas, ameaças e violência psicológica há anos, acumulando inclusive boletins de ocorrência registrados contra o companheiro.
Além disso, a defesa anexou ao processo um exame pericial realizado logo após o crime. O laudo médico constatou lesões e hematomas no braço da servidora pública, provando que o marido a agrediu fisicamente naquela noite. Dessa forma, os advogados buscam a absolvição por legítima defesa, alegando que a mulher apenas lutou para preservar a própria vida contra um histórico de abusos. Sete moradores da comarca formam o Conselho de Sentença e decidirão o veredito ainda nesta quinta-feira (18).

