
O Tribunal do Júri da comarca de Imbituba, no Sul de Santa Catarina, condenou um homem a 30 anos, dois meses e seis dias de prisão por homicídio duplamente qualificado e corrupção de menor. A vítima era Felipe Nobre, então com 16 anos, assassinado em “morte decretada” por uma facção do crime organizado. O julgamento foi o primeiro júri popular da região Sul catarinense em 2026.
De acordo com a denúncia, o crime ocorreu na noite de 4 de julho de 2023, em um bar localizado no bairro Nova Brasília, em Imbituba. O homicídio foi premeditado e teve origem em um desentendimento ocorrido dias antes entre os envolvidos e a vítima.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, o motivo foi vingança por supostos problemas que Felipe teria causado ao crime organizado. Por conta disso, a facção decretou a sua morte. A partir desse contexto, o crime teria sido planejado de forma organizada e estratégica.
A ação foi precedida de monitoramento da vítima e de tentativas anteriores de localizá‑la. Assim, Felipe foi surpreendido em local público, enquanto jogava sinuca, e atingido por diversos disparos de arma de fogo, o que impossibilitou qualquer reação defensiva e caracterizou emboscada. Houve a participação de um adolescente na execução do crime, que teria sido conscientemente envolvido na prática do homicídio.
Para fixar a pena, a Justiça considerou a gravidade do crime, a premeditação, os antecedentes criminais do condenado, a ocorrência do homicídio em local público, com exposição de terceiros a risco, e o envolvimento de organização criminosa. A pena pelo homicídio foi fixada em 28 anos de reclusão.
Somada à condenação pelo crime de corrupção de menor, a pena total ficou em 30 anos, dois meses e seis dias de reclusão. A sentença determinou o regime inicial fechado e a manutenção da prisão preventiva, com execução imediata da pena.
Além da pena privativa de liberdade, o réu foi condenado ao pagamento de indenização mínima por danos morais, no valor de R$ 50 mil, em favor dos sucessores da vítima. Em relação aos outros dois acusados, o Conselho de Sentença decidiu pela absolvição, por não reconhecer a autoria dos crimes.
No dia seguinte ao crime, a mãe de Felipe, Juliana Nobre, publicou um texto nas suas redes sociais, lamentando a morte do fulho. confira:
“Hoje, dia 4 de julho, perco uma parte minha. Só não tudo porque tenho que ser forte pelos que ficaram. Só que não é fácil. É difícil e doloroso você perder uma pessoa que você ama e daria a vida se fosse preciso. Fui a mãe, amiga, confidente dele. Estive sempre com ele em tudo. Só não vou me sentir culpada ou errada na criação dos filhos. Com o tempo eles são do mundo e fazem suas amizades, suas escolhas pelas quais não podemos optar. Sei que meu filho, como dizem meu Xerox, está com quem me emprestou ele para passar passar essa jornada comigo, para me ensinar a errar e acertar…Ele se foi sabendo que eu o amava muito, e fazia de tudo por ele. Sei que ele me amava também…Obrigado a todos pelas mensagens e ligações. Não é fácil ser mãe. Mas não é mais fácil ainda perder um coração e ter que continuar vivendo. Filho, te amarei eternamente, hoje e sempre. Você foi um legitimo homem. Se alguém lembrar de você com certeza vai ser de todas as formas meu gato”.

