
A Justiça do Amazonas condenou na quinta-feira (16) o casal Deliomara dos Anjos Santos e Thiago Agles da Silva pelo assassinato da artista venezuelana Julieta Hernández. O crime aconteceu em dezembro de 2023, na cidade de Presidente Figueiredo, a cerca de 107 quilômetros de Manaus.
De acordo com a decisão judicial, Deliomara recebeu a pena de 37 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão, além de 264 dias-multa. Já Thiago vai cumprir 41 anos e 3 meses de prisão, além de 220 dias-multa. A Justiça responsabilizou o casal pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver.
Julieta era cicloviajante e artista de rua. Ela pernoitou na cidade na madrugada de 23 de dezembro, e pretendia seguir viagem para Roraima quando morreu. Os policiais encontraram seu corpo dias depois na zona rural do município.
Além disso, a juíza Tamiris Gualberto, responsável pelo caso, determinou que os dois cumpram a pena em regime fechado e manteve a prisão preventiva dos réus para o imediato cumprimento provisório da sentença, até que não haja mais possibilidade de recurso.
Quem era Julieta
Migrante nômade, bonequeira, palhaça e viajante de bicicleta. É assim que Julieta Hernández se apresentava nas redes sociais. Na biografia do Instagram, que contava com mais de 10 mil seguidores, a artista levava a frase: “Minha casa é o movimento”.
A venezuelana chegou ao Brasil em julho de 2016 e estava há quatro anos viajando de bicicleta. Além disso, a maioria das suas apresentações ocorria na rua, mas Julieta também se apresentava em teatros.

“Quem já apresentou na rua sabe que fazê-lo é sempre uma grande batalha com unhas e com dentes para vencer milhares de obstáculos em forma de distrações”, publicou ela.
Uma das personagens que a artista interpretava era a miss jujuba, palhaça de rua que encantava a criançada. “Agradeço a miss jujuba o encantamento que ela gera em mim e em quem se permite trocar de coração com ela”, publicou.
Comoção nas redes sociais
Os mais de 10 mil seguidores que acompanhavam a rotina da artista no Instagram postaram na época mensagens de apoio e indignação pela morte de Julieta.
“Muito difícil entender por que uma pessoa perde a vida assim. Por que uma pessoa que não oferece risco a ninguém, não possa andar livre pelo nosso país? Qual o intuito de matar alguém totalmente indefesa? Tinham o que para tirar dela? Era uma viajante apenas. Que inaceitável isso”, publicou uma internauta.
“Estou em pedaços, assisti um vídeo dela em sua bike chegando no Amazonas, cumprindo o seu caminho e soube que ela não conseguiu chegar ao seu destino final. Julieta, perdão. Dessa forma, em nome de todos os brasileiros. É muita dor saber que uma mulher tão livre, sorridente e artista foi arrancada deste mundo de uma forma tão brutal. Espero que se faça a justiça. Descanse em paz, hermana”, postou outra seguidora.
Relembre o crime
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do AM, os policiais localizaram o corpo debaixo da terra em uma mata. próximo ao local onde testemunhas viram Julieta pela última vez. Conforme a Secretaria, a identificação ocorreu por meio de exame de necropapiloscopia.
Informações do delegado responsável pelo caso apontam que o crime ocorreu por conta do roubo do celular da artista, aliado a uma briga do casal por ciúmes. Julieta teria se hospedado na casa do casal. Na madrugada, o homem, que se identificou como Thiago, tentou roubar o celular da vítima, que reagiu e foi enforcada até perder a consciência. Depois, a esposa do Thiago, identificada como Deliomara, a mando do marido, amarrou as mãos e os pés de Julieta. Foi nesse momento que Thiago violentou a venezuelana.

Segundo depoimento de Deliomara, ela ligou as luzes e, com ciúmes do marido, jogou álcool e ateou fogo nos dois. Na sequência, o casal leva Julieta para área de mata e a enterram. A polícia não descarta possibilidade de que a enterraram ainda viva. O casal tem 5 filhos, que estavam na casa enquanto tudo acontecia.
Os policiais encontraram, próximo à casa dos suspeitos, partes da bicicleta utilizada pela artista. Além disso, o equipamento estava nas proximidades onde o corpo foi localizado.

