
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina condenou três réus por tirar a vida de a vida de sete pessoas e atentar contra outras três, por acharem que elas eram integrantes de uma facção criminosa rival. Os crimes aconteceram no dia oito de janeiro de 2023. As penas ultrapassam 87, 127 e 137 anos de reclusão para três dos quatro julgados na sessão do Tribunal do Júri que durou dois dias.
Os acusados também receberam a condenação pelos crimes conexos de sequestro, cárcere privado, participação em organização criminosa, dano qualificado de automóvel e ocultação de cadáver. Eles não terão o direito de recorrer em liberdade, conforme decisão da Justiça.
“A sociedade Joinville deu uma resposta à altura da brutalidade dos crimes cometidos. Espero que essa resposta dê algum conforto aos familiares e as vítimas sobreviventes, todos trabalhadores do vizinho estado do Paraná que vieram ao nosso estado com o único propósito de trabalhar honestamente”, diz a Promotora Júlia Wendhausen Cavallazzi.
Os outros cinco réus denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) neste mesmo processo passarão por julgamento no mês de julho.
Penas aplicadas pela Justiça
Charles Willian Rodrigues Delfes, 87 anos, seis meses e três dias de reclusão em regime fechado; Jackson José da Silva, 127 anos e 14 dias de reclusão em regime fechado, 10 meses e 22 dias de detenção, além de 120 dias-multa, equivalente a R$ 5.280; e Márcio Delfino da Rosa a 137 anos, três meses e 18 dias de reclusão em regime fechado e um ano de detenção e 124 dias-multa (R$ 5.456). Um quarto acusado julgado na mesma sessão, foi absolvido pelo Conselho de Sentença.
Relembre os fatos conforme a denúncia do MPSC
Conforme relata a denúncia da 22ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville, no dia 8 de janeiro de 2023, por volta das 9h25, na Estrada Serrinha, bairro Vila Nova, em Joinville, foram localizados seis corpos, em avançado estado de carbonização, no interior de um automóvel.
No dia anterior aos fatos, uma das vítimas teria se dirigido até um bar ou “bailão”. Nesse local, teria se desentendido com uma das denunciadas, integrante de facção criminosa. Conforme consta na ação penal, a vítima fez um gesto com a mão, dando a entender que pertencia à facção criminosa rival. Em seguida, teria retornado à residência onde morava com as demais vítimas para tentar se esconder de integrantes da organização criminosa. Porém, os réus invadiram o imóvel e abordaram todos que lá se encontravam.
Após a ordem de uma das acusadas, que tinha posição de chefia da organização criminosa na região do bairro Morro do Meio, o grupo sequestrou as vítimas e as manteve em cárcere privado.
De acordo com o inquérito policial, as vítimas não ficaram juntas. Os criminosos teriam levado três delas para a área externa do imóvel, enquanto as demais continuaram no interior da residência. Após a divisão, os réus localizaram outra vítima nos fundos do imóvel. Esta, que seria o alvo da ação dos criminosos, foi espancada, morta e decapitada. Dentro do imóvel, os réus amarraram as vítimas e as espancaram.
O que ocorreu após as agressões
A ação penal detalha que, após as agressões, os suspeitos colocaram um corpo no porta-malas de um automóvel e sequestraram os demais. Conforme apurado, no veículo, além do corpo, tinha outras duas vítimas. Em um segundo automóvel, os criminosos colocaram outras três pessoas amarradas, assim como as demais vítimas, levadas em um terceiro carro.
Com os três veículos, o grupo seguiu até o bairro Vila Nova com o objetivo de matar as vítimas que tinham em seu poder e ocultar os seus cadáveres. Durante o trajeto, um dos veículos estragou e foi abandonado, e os réus não mataram as três vítimas que levavam. Posteriormente, após as cinco horas do dia oito de janeiro, nas imediações do bairro Vila Nova, os denunciados tiraram a vida de seis das vítimas com vários tiros na região da cabeça.
Após o ato criminoso, colocaram os corpos no interior do automóvel e atearam fogo ao veículo. Então, ocultaram o cadáver de uma das vítimas em meio a uma plantação de pupunha nas imediações da Estrada Duas Mamas, no bairro Vila Nova. Na sequência, retornaram ao automóvel restante, e o abandonaram no bairro Morro do Meio.
Com informações do Ministério Público de Santa Catarina
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