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Foragido da Justiça é executado por policiais civis em Palhoça

Moradores contestam versão habitual da Polícia em contam que homem estava desarmado quando foi morto

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Foragido da Justiça é executado por policiais civis em Palhoça
Anderson (no detalhe) tinha 29 anos. Fotos: divulgação

Um homem de 28 anos foi executado por policiais civis no começo da manhã desta sexta-feira (24), em Palhoça, na Grande Florianópolis. A Operação foi comandada pela Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil, e buscava cumprir um mandado de prisão. Ele foi identificado como sendo Anderson dos Santos Dias, natural da Bahia.

As equipes do Core chegaram por volta das 5h30 na moradia, que fica dentro da Ocupação Carlos Marighella, um conjunto de três prédios onde vivem cerca de 100 famílias, no bairro Guarda do Cubatão.

A Polícia informou que durante a abordagem, “houve oposição armada por parte do suspeito, que foi atingido e veio a óbito”. Nenhum policial ficou ferido na ação. Em nota, a PCSC disse que Anderson possuía histórico de registros policiais no Estado da Bahia por homicídio, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas e integração em organização criminosa. Além disso, o investigado responde por envolvimento em dois latrocínios praticados contra motoristas de aplicativo, além de outros homicídios apurados na Região Metropolitana de Salvador.

A reportagem do Guararema News obteve áudios de moradores da ocupação que contestam a versão oficial da Polícia. Uma mulher contou que Anderson vivia na moradia com a mulher e três filhos dela. Quando os policiais entraram de surpresa pela porta da frente, a moradora deu um grito de susto, o que acordou Anderson. Na sequência, os policiais dispararam tiros de fuzil contra o rapaz, que estava desarmado. “Depois disso, colocaram uma arma ali pra dizer que era dele”, revelou. Ela também foi agredida e jogada à força para fora da casa.

A esposa de Anderson postou como comentário numa rede social: “tudo isso que estão falando é mentira, ele era meu marido, ele não reagiu, ele não tava armado, eles já chegaram atirando no meu marido. Tão falando que ele era de facção mas é mentira, ele trabalhava na roça aonde desse pra ele. Agora é fácil um monte de fuleira vim dizer -1, e não sei mais o quê”.

Outras moradora contou que o SAMU só foi acionado depois que os pais de Anderson, que moram em outro bairro, chegaram no local. Os socorristas apenas confirmaram a morte e o corpo foi retirado pela Polícia Científica.

A moradora não soube precisar há quanto tempo Anderson morava na Ocupação, mas revelou que ele usava tornozeleira eletrônica quando chegou. Depois de algum tempo, deixou de usar o equipamento. Ele não tinha emprego fixo, mas fazia serviços de limpeza e pequenos reparos na própria comunidade.

Ocupação Carlos Marighella

Cerca de 100 famílias vivem na Ocupação Carlos Marighella, um conjunto de três prédios abandonados por uma construtora que faliu em 2016. A obra ficou inacabada, e desde o início da ocupação ao apartamentos servem de moradia.

Em 2022, um laudo da Laudos da Defesa Civil de Palhoça, do CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina) e da Secretaria de Assistência Social do município apontou que os apartamentos não poderiam ser ocupados por questões de higiene, saúde e segurança. A Vara Regional de Recuperações Judiciais, Falências e Concordatas da Comarca da Capital chegou a emitir um mandado de desocupação “forçada e completa” do imóvel, mas a decisão foi revertida na Justiça.

Róbinson Gambôa

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Róbinson Gambôa

Experiênte jornalista, atua na região da Grande Florianópolis, se dedicando aos factuais do dia a dia e também a matérias mais autorais com foco em temas diversos. Entre suas especialisdades está a editoria de política e segurança publica. Gambôa também contribui com conteúdo esportivo.

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