
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (2) a Operação Benaia para desarticular um esquema milionário de corrupção que teria atuado dentro da Receita Federal. As investigações apontam que um ex-chefe da Receita Federal em Itajaí, Marcus Vinícius Nali Simioni, teria recebido vantagens indevidas para favorecer empresários em processos alfandegários. Segundo os órgãos responsáveis, os prejuízos e valores movimentados pelo esquema podem ultrapassar R$ 10 milhões.
De acordo com a Polícia Federal, o investigado aproveitava a influência do cargo para facilitar procedimentos ligados ao comércio exterior. Além disso, ele também teria tentado criar mecanismos logísticos sob demanda de empresários interessados em obter vantagens nos trâmites aduaneiros.
Os investigadores afirmam que o servidor recebeu, pelo menos, R$ 2 milhões para atuar em benefício de empresas. Entretanto, a Receita Federal informou que os valores suspeitos de terem sido recebidos, direta ou indiretamente, superam R$ 5 milhões.
Com o avanço das apurações, os órgãos passaram a investigar um universo maior de envolvidos, incluindo despachantes, consultorias, importadoras e operadores logísticos. Dessa forma, o montante total relacionado ao esquema pode chegar a R$ 10 milhões.
Empresas de familiares teriam sido usadas
Durante a investigação, a Polícia Federal identificou que o suspeito mantinha empresas registradas em nome de familiares. Conforme os investigadores, ele utilizava essas estruturas para ocultar a origem dos recursos e dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido de forma ilícita.
Além disso, a apuração aponta que os pagamentos ocorriam por diferentes meios. Entre eles estão depósitos bancários, repasses em dinheiro vivo e quitação de despesas pessoais, como aluguel, faturas de cartão de crédito e aquisição de bens.
Por causa dos indícios reunidos, a Justiça autorizou o afastamento do principal investigado das funções públicas. Também permitiu a participação da Receita Federal em parte das buscas realizadas pela operação.



Mandados em Santa Catarina e São Paulo
Ao todo, a Operação Benaia cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina e São Paulo. As equipes atuaram em Itajaí, Guarulhos, São Paulo, Santana de Parnaíba, Barueri, Paulínia, Valinhos, Hortolândia e Campinas.
Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Em nota, a Receita Federal destacou que mantém atuação permanente no combate a desvios de conduta. Além disso, afirmou que a participação de operadores do comércio exterior em esquemas dessa natureza compromete a fiscalização aduaneira, enfraquece o controle de cargas e cria concorrência desleal para empresas que atuam dentro da legalidade.

