
Uma enfermeira de 26 anos afirmou à Polícia Civil que tentou socorrer Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, após a jovem ser lançada sem a corda principal durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo. A tragédia aconteceu no sábado (13), na chamada Ponte do Esqueleto. A vítima caiu de cerca de 40 metros e morreu no local.
Enfermeira encontrou jovem com pulso fraco
Em depoimento, Rayza Gabrieli Dias Delfino contou que seria uma das próximas participantes da atividade. No entanto, ao perceber o acidente, correu para prestar socorro.
Segundo ela, Maria Eduarda ainda apresentava sinais vitais quando foi encontrada.
“Ela estava dando aquele suspiro de pós-morte. Eu chequei e senti um pulso bem fraco. Comecei a massagem cardíaca e, depois, a pulsação parou”, relatou.
Além disso, a enfermeira afirmou que a vítima usava parte do equipamento de segurança presa ao corpo. No entanto, a corda principal não estava conectada.
Ela permaneceu no local até a chegada do Samu. Em seguida, os socorristas tentaram reanimar a jovem. Para isso, precisaram cortar parte do equipamento para utilizar um desfibrilador. Apesar dos esforços, a equipe não conseguiu reverter o quadro.
Profissional filmava preparação para o salto
Rayza também revelou que seria a 42ª pessoa a saltar naquele dia. Enquanto aguardava sua vez, ela gravava vídeos com o celular.
Segundo o relato, a atenção estava voltada para a própria expectativa do salto. Por isso, ela não observou a instalação dos equipamentos em Maria Eduarda.
“Eu só estava olhando ela. Nem vi como colocaram os equipamentos. Quando ela caiu, comecei a ouvir as pessoas gritando: ‘a corda, a corda'”, contou.
Falha na segurança é alvo da investigação
A Polícia Civil investiga uma possível falha grave nos protocolos de segurança. De acordo com testemunhas, os instrutores não realizaram a conferência final dos equipamentos antes do salto.
As apurações indicam que a corda responsável por sustentar a queda permaneceu enrolada no chão da plataforma. Ou seja, o sistema principal de proteção não foi conectado à vítima.
Em depoimento, os três instrutores presos disseram não se lembrar de quem era a responsabilidade pela instalação da corda nem da checagem final do equipamento.
Segundo a delegada responsável pelo caso, os profissionais demonstraram confusão ao explicar o procedimento adotado antes do salto.
Ponte acumula histórico de problemas
A tragédia também reacendeu o debate sobre a situação da Ponte do Esqueleto. A estrutura pertence a um antigo trecho ferroviário e fica em uma área sob responsabilidade da União.
A Prefeitura de Limeira afirma que já havia solicitado medidas de segurança e restrições de acesso ao local. Por outro lado, o governo federal sustenta que buscou apoio dos municípios para bloquear a área.
Após a morte de Maria Eduarda, autoridades municipais e federais trocaram críticas sobre a falta de controle e fiscalização da ponte.
Investigação continua
A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e analisando imagens do local. O objetivo é esclarecer como a jovem foi lançada sem a conexão da corda principal e identificar eventuais responsabilidades criminais.
Enquanto isso, familiares e amigos se despedem de Maria Eduarda, descrita por pessoas próximas como apaixonada pela natureza e por atividades ao ar livre.

