
O empresário Alcione Melo Ramos, investigado por integrar um esquema de corrupção que fraudava licitações de softwares em Santa Catarina, foi preso em flagrante na última quinta-feira (9) no Aeroporto Internacional de Florianópolis. A Polícia Militar encontrou uma pistola Glock carregada e pronta para uso dentro do veículo do suspeito, estacionado no terminal.
A abordagem ocorreu após o setor de inteligência da PM informar que o empresário circulava com uma arma de forma irregular. Com base nas informações, uma guarnição localizou o Toyota Corolla Cross conduzido por Alcione e realizou a fiscalização no estacionamento do aeroporto.
Durante as buscas, os policiais encontraram uma pistola Glock presa a um suporte magnético instalado ao lado do banco do motorista. Segundo a corporação, o equipamento permitia acesso rápido ao armamento. Além disso, os agentes apreenderam dois carregadores com 15 munições cada. Um deles já estava acoplado à arma, que permanecia alimentada e pronta para disparo.
Ao ser questionado, Alcione informou que a pistola possui registro. No entanto, admitiu não possuir autorização para portar a arma fora de casa. Diante da situação, os policiais deram voz de prisão em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e encaminharam o empresário à Delegacia de Polícia Civil, onde foram realizados os procedimentos legais.
Investigação aponta atuação em esquema de fraudes
Além da prisão em flagrante, Alcione Melo Ramos figura entre os investigados da Operação Gaiola Digital, conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO). A investigação apura um esquema de fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo contratos públicos de tecnologia.
Conforme o Ministério Público, o empresário integra o chamado “Núcleo Diretivo” da Pública Tecnologia Ltda., empresa apontada como beneficiária do esquema. De acordo com os investigadores, ele exercia a função de sócio-executivo e participava diretamente da administração dos recursos financeiros movimentados pela organização.
Ainda segundo o MPSC, Alcione ajudava a controlar planilhas paralelas utilizadas para registrar pagamentos ilícitos. Além disso, teria atuado na distribuição de dinheiro em espécie destinado ao pagamento de propinas a prefeitos e secretários municipais envolvidos nas supostas fraudes.
Prisão pode ampliar as investigações
Após a prisão, as autoridades passaram a analisar as circunstâncias da presença do empresário no aeroporto. Os investigadores apuram se Alcione pretendia deixar Santa Catarina ou se havia outra finalidade para a viagem.
Ao mesmo tempo, a Polícia Civil e o GAECO também buscam esclarecer se o fato de a arma estar carregada e instalada em posição de saque imediato possui alguma relação com o avanço das investigações ou com eventual tentativa de intimidação. Até o momento, os órgãos responsáveis não divulgaram novas conclusões sobre essa linha de apuração.
