
A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, continua revelando novos relatos de pessoas que afirmam ter sido enganadas pela suspeita. Desta vez, uma moradora de Curitiba contou que viveu cerca de dez meses sob a influência da mulher, que se apresentava como “Emily”, uma adolescente de 13 anos supostamente em tratamento contra um câncer terminal.
Segundo a vítima, Amanda construiu uma narrativa repleta de tragédias para conquistar sua confiança. Inicialmente, ela afirmava estar internada em um hospital de Brasília, lutando contra a doença e, ao mesmo tempo, enfrentando dificuldades familiares.
Além disso, dizia ter sido abandonada pelo pai e, frequentemente, relatava episódios de sofrimento. Comovida pela história, a mulher aceitou o pedido para se tornar madrinha da suposta adolescente.
“Ela dizia que estava morrendo de câncer e que queria ser batizada para entrar no céu”, relatou.
Histórias ficaram cada vez mais dramáticas
Com o passar dos meses, Amanda ampliou a farsa. Primeiro, contou que havia encontrado o pai biológico e que ele seria compatível para uma doação de medula óssea. Como resultado, a história emocionou tanto a vítima que ela chegou a cumprir uma promessa religiosa pela recuperação da jovem.
Na sequência, a suspeita afirmou que a mãe havia morrido durante uma cirurgia. Depois, alegou que passou a viver com o pai, que a agredia por motivos religiosos. Pouco tempo mais tarde, informou que ele também havia morrido.
Posteriormente, Amanda passou a relatar episódios ainda mais graves. Segundo a vítima, a falsa adolescente dizia ter sofrido abuso sexual dentro do hospital. Além disso, afirmava que o câncer havia retornado e chegou a alegar que precisou amputar um braço por causa da doença.
Mesmo diante da sucessão de tragédias, a mulher continuava participando de grupos de oração e mantendo contato frequente com pessoas que acreditavam na história.

Vítima se envolveu emocionalmente
Ao longo dos meses, a relação se tornou cada vez mais intensa. Dessa forma, a vítima afirmou que dedicava parte da rotina para rezar pela suposta adolescente e, ainda, mobilizava outras pessoas para ajudá-la.
Além disso, integrantes de grupos religiosos gravavam vídeos, enviavam mensagens de apoio e organizavam correntes de oração.
Com o tempo, o vínculo emocional se tornou tão forte que a mulher chegou a tatuar o nome usado pela golpista.
“Foi uma das dores mais profundas que essa história me deixou”, desabafou.
Golpista criou diversos personagens
Para sustentar a mentira, Amanda utilizava vários números de telefone e assumia diferentes identidades. Conforme o relato, ela se passava pela mãe, pelo pai, pela avó e por outros familiares da personagem criada.
Ao mesmo tempo, cada perfil apresentava uma forma própria de escrever, o que dificultava a descoberta da fraude.
Além disso, a suspeita evitava chamadas de vídeo e ligações telefônicas. Assim, toda a comunicação acontecia exclusivamente por mensagens.
Pedido de doação levantou suspeitas
A farsa começou a ruir quando Amanda pediu ajuda financeira para uma suposta menina carente de Minas Gerais. Embora solicitasse doações, ela insistia para que a campanha não fosse divulgada nas redes sociais.
Mesmo assim, a vítima compartilhou o pedido. A partir daí, pessoas próximas decidiram investigar as informações fornecidas pela adolescente.
Durante as apurações, elas entraram em contato com hospitais citados por Amanda e, então, descobriram que não havia nenhuma paciente registrada com aquele nome.
Diante das inconsistências encontradas, a fraude veio à tona.
Caso se parece com golpe aplicado em Joinville
O relato apresenta diversas semelhanças com o caso investigado pela Polícia Civil em Joinville. Segundo os investigadores, Amanda viveu por cerca de 14 meses com uma família do distrito de Pirabeiraba usando a identidade falsa de uma adolescente chamada “Gabrielle”.
Para conquistar a confiança das vítimas, ela também relatou supostos abusos, dificuldades familiares e problemas de saúde. Como consequência, a família se sensibilizou e passou a custear despesas como alimentação, roupas, medicamentos e moradia.
Após a descoberta da fraude, a Justiça decretou a prisão preventiva da suspeita.
Justiça determina exame de sanidade mental
Depois da prisão, a defesa de Amanda solicitou um exame de sanidade mental. Segundo os advogados, existem elementos que justificam uma avaliação psicológica mais aprofundada.
Posteriormente, a Justiça aceitou o pedido e determinou a realização de uma perícia oficial para analisar a condição psíquica da investigada.
Amanda responde pelos crimes de falsa identidade e estelionato. Além disso, a Polícia Civil apura relatos de ocorrências semelhantes atribuídas a ela em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Enquanto isso, as investigações seguem em andamento para identificar possíveis novas vítimas e esclarecer outros episódios relacionados à suspeita.

