
O finlandês Toni Antti Juhani Hakala, hoje com 44 anos, foi extraditado do Brasil para seu país nesta segunda-feira (13), conforme informação da Polícia Federal. Hakala cumpriu parte da sua pena em Santa Catarina desde 2009, quando foi condenado a mais de 18 anos de cadeia pelo assassinato da dançarina paraense Elisângela Coelho. Em 2019, ele recebeu liberdade condicional e desde então vivia em Garopaba.
Hakala foi condenado por feminicídio e também por crimes de ocultação de cadáver e furto de carro, em julgamento que durou cerca de 13 horas. Do salão do Juri, ele foi levado para o Presídio de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, e em 2014 foi transferido para Joinville.
Elisângela trabalhava na boate Bokarra Club, em Florianópolis. Natural de Belém, no Pará, ela manteve um romance com o finlandês. Após o fim do relacionamento, ficou cerca de 40 dias desaparecida. A Polícia Civil prendeu Hakala como suspeito de ser o autor do assassinato e localizou o corpo da vítima. O crime ocorreu na casa que pertencia a Hakala, na rua Silvio de Araujo, no bairo Rio Tavares. O finlandês asfixiou a ex-namorada após uma briga, conforme investigação policial. Depois, ele enterrou o corpo nas dunas da praia do Moçambique. Após sua prisão, a casa de Hakala se transformou numa clínica para dependentes químicos e hoje abriga uma pousada para turistas.
Hakala chegou a negar o crime, mas, durante o julgamento, uma testemunha disse ser sua amiga e afirmou que o acusado confessou o crime para ela.
Finlandês cumpriu 18 anos de prisão
Ex-lutador de MMA, Hakala também cometeu crimes na Finlândia. Em 2001, foi condenado por agressão. Em 2004, por dirigir embriagado. E em 2008, por crime relacionado a drogas.

A extradição de Hakala nesta semana foi uma decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, após o cumprimento integral da pena no sistema prisional brasileiro. A medida teve como objetivo preservar a ordem pública e a segurança nacional, como previsto na legislação vigente.
Hakala foi escoltado por policiais federais até o Aeroporto Internacional de Florianópolis, de onde embarcou em voo com destino à Finlândia. A partir de agora, ele está proibido de retornar ao território nacional, conforme decisão administrativa também expedida pelo Ministério.
Em 2014, quando ainda cumpria pena após ser transferido para o Presídio de Joinville, Hakala deu uma entrevista para uma emissora de TV da Finlândia. À repórter Vera Miettinen, ele afirmou ser inocente. De acordo com a reportagem, Hakala contou que estava com a namorada e um grupo de amigos em um churrasco na sua casa, que durou três dias. Após discussão com a mulher, ele saiu de carro para esfriar a cabeça e quando voltou encontrou a mulher morta.

Prisão Perpétua no Brasil?
Uma reportagem, publicada em site da Finlândia e no idioma finlandês, afirma que no Brasil se estima que 50% dos presos sejam inocentes. “O motivo é absurdo em sua simplicidade: o sistema prisional é um dos melhores negócios do país. Cada preso representa 3.000 reais, ou 1.000 euros, em receita para a organização prisional todos os meses”, diz a publicação.
Vera também descreveu a prisão de Joinville: “O prédio parece uma instituição normal. Não exatamente uma caverna horrível e fedorenta como as prisões brasileiras são conhecidas. Este presídio está localizado a 500 quilômetros ao sul de São Paulo, na cidade de Joinville, uma cidade com cerca de 500.000 habitantes”.
A jornalista também afirma que o presídio de São Pedro de Alcântara é “o pior do Brasil”, onde condenados à prisão perpétua dividem o mesmo espaço que jornalistas. No entanto, como se sabe, não existe prisão perpétua no Brasil.
“Uma vez, Hakala foi forçado a assistir enquanto um policial e um guarda-prisional espancavam outro preso até a morte. À mídia foi dito que o homem havia caído de um muro e batido a cabeça ao tentar fugir”, diz a notícia.
