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Superbactérias aumentam em 3,6 vezes custo de pacientes em UTIs

Pesquisa acompanha internações em 50 unidades brasileiras e alerta para o avanço das infecções resistentes

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Superbactérias aumentam em 3,6 vezes custo de pacientes em UTIs
Foto ilustrativa / Arquivo / Governo de SC

As superbactérias podem aumentar em 3,6 vezes o custo de pacientes internados em unidades de terapia intensiva. A comparação considera pessoas que contraíram infecções por bactérias multirresistentes e aquelas que não desenvolveram essas complicações.

O projeto Impacto MR identificou o aumento dos gastos após acompanhar pacientes em 50 UTIs públicas e privadas do Brasil. Desde 2019, a pesquisa financiada pelo Ministério da Saúde analisa as consequências clínicas e financeiras dessas infecções.

Além de encarecer a internação, as superbactérias dificultam o tratamento, prolongam a permanência no hospital e ampliam os riscos de morte. Portanto, os pesquisadores defendem que hospitais reforcem urgentemente as medidas de prevenção.

Por que as superbactérias aumentam os custos?

As superbactérias resistem a diferentes tipos de antibióticos. Como resultado, os médicos enfrentam mais dificuldades para combater a infecção e precisam adotar tratamentos mais complexos.

Além disso, muitos pacientes permanecem mais tempo na UTI, utilizam medicamentos específicos e exigem acompanhamento constante. Consequentemente, os hospitais gastam mais recursos com equipes, exames, procedimentos e leitos.

O projeto acompanha principalmente infecções que os pacientes contraem durante a internação. Nesse sentido, os pesquisadores analisam casos relacionados ao uso de dispositivos invasivos, como cateteres e aparelhos de ventilação mecânica.

Dessa forma, o levantamento procura identificar quanto a infecção aumenta os gastos e quais medidas podem reduzir o problema.

Qual é o impacto das infecções no SUS?

O Brasil ainda não calculou o impacto financeiro total das superbactérias no Sistema Único de Saúde. Isso acontece porque os bancos de dados não integram todas as informações necessárias.

Para produzir uma estimativa nacional, os pesquisadores precisam reunir dados que representem as diferentes realidades do país. Ao mesmo tempo, precisam relacionar as informações sobre a infecção aos custos do mesmo paciente.

Por isso, não basta comparar os gastos de uma pessoa infectada com os de outra que não apresentou a complicação. Na prática, os especialistas precisam identificar exatamente qual despesa adicional a superbactéria provocou.

Apesar dessa dificuldade, o resultado encontrado nas 50 UTIs já demonstra a dimensão do problema. Afinal, uma infecção resistente pode mais do que triplicar o custo da internação.

Como os hospitais podem evitar essas infecções?

Os hospitais podem prevenir parte considerável dessas infecções. Para isso, precisam reforçar os protocolos de higiene, controlar o uso de antibióticos e acompanhar os pacientes submetidos a procedimentos invasivos.

Além disso, as equipes devem identificar rapidamente as bactérias resistentes e adotar medidas para impedir a transmissão dentro das unidades.

Entre as principais ações estão:

  • reforçar a higienização das mãos;
  • controlar a prescrição e o uso de antibióticos;
  • monitorar cateteres e ventiladores mecânicos;
  • identificar rapidamente microrganismos resistentes;
  • aprimorar os protocolos de controle de infecções;
  • capacitar continuamente as equipes de saúde.

Assim, os hospitais podem reduzir os gastos adicionais e, principalmente, evitar mortes e sofrimento.

Por que o envelhecimento preocupa os especialistas?

O envelhecimento da população brasileira deve aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema de saúde. Isso porque pessoas idosas costumam apresentar maior vulnerabilidade e precisam de mais internações e procedimentos.

Consequentemente, o país poderá registrar maior demanda por leitos, medicamentos e equipes especializadas. Ao mesmo tempo, o risco de infecções resistentes também poderá crescer.

O Brasil participa do plano internacional da Organização Mundial da Saúde para enfrentar a resistência aos antimicrobianos. No entanto, o país ainda precisa ampliar as pesquisas e colocar medidas efetivas em prática.

Quanto mais as superbactérias avançam, mais difícil e caro se torna o tratamento. Portanto, investir em prevenção protege os pacientes, reduz a pressão sobre as UTIs e preserva os recursos do sistema público de saúde.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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