
A cidade de Navegantes alcançou um marco histórico no combate à dengue: há 12 semanas consecutivas, o município não registra nenhum foco do mosquito Aedes aegypti. O resultado, confirmado pela Secretaria de Saúde, é atribuído principalmente ao uso de um bioinseticida à base de óleo de neem — método pioneiro em Santa Catarina.
Segundo o secretário de Saúde, Pablo Sebastian Velho, a inovação representa um avanço no enfrentamento da doença. “Somos pioneiros no estado na utilização desse bioinseticida feito com óleo de neem, extraído da planta Azadirachta indica. A pulverização com esse produto ocorre tanto nas ruas quanto dentro das residências. Ele não é tóxico para humanos e animais e permanece ativo por até 20 dias, tempo superior ao inseticida químico comum”, explica.
De acordo com a gerente de Vigilância Ambiental, Diane Assunção, a eficácia do produto está na sua ação contínua. “Ele funciona como repelente e atua em todas as fases de vida do mosquito, desde os ovos até a fase adulta”, detalha.
A aplicação do bioinseticida começou em maio e rapidamente apresentou resultados. Entre as semanas epidemiológicas 23 e 31 — de julho a outubro —, as 107 larvitrampas instaladas em diferentes pontos da cidade não registraram nenhum novo criadouro.
Dengue em números
Como reflexo, os casos de dengue caíram de forma expressiva. Em 2025, Navegantes soma 120 registros da doença, sendo o último caso autóctone (contraído dentro do município) em 21 de julho. No mesmo período do ano passado, o município contabilizava 6.571 casos.
Além do uso do bioinseticida, a estrutura de combate foi reforçada. O número de agentes de endemias aumentou em mais de 300%, passando de 10 para mais de 40 profissionais. “Essa ampliação permitiu intensificar as visitas domiciliares e as fiscalizações em 79 pontos estratégicos, como borracharias, ferros-velhos e depósitos de recicláveis”, explica o secretário.
Mesmo com os avanços, a prefeitura reforça, portanto, que a colaboração da comunidade continua essencial. “Os resultados são animadores, mas precisamos da ajuda de todos para manter o município livre do mosquito. Evitar o acúmulo de água e eliminar possíveis criadouros ainda são as medidas mais eficazes”, alerta Pablo Velho.

