
Um jovem de 20 anos recebeu, nesta quinta-feira (2), uma aplicação de polilaminina no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, no Sul de Santa Catarina. Ele sofreu uma lesão medular traumática completa após um grave acidente de motocicleta, registrado em 26 de março de 2026. A equipe médica realizou o procedimento 98 dias depois do trauma. Com isso, o caso passou a figurar entre as aplicações mais tardias da terapia experimental no Brasil.
Família iniciou corrida por tratamento
Logo após o acidente, a família iniciou uma mobilização para buscar alternativas terapêuticas. Primeiro, reuniu exames. Depois, organizou laudos médicos. Em seguida, apresentou documentos exigidos para a análise técnica do caso.
No entanto, o processo não avançou de forma simples. A família enfrentou etapas administrativas, exigências regulatórias e prazos que atrasaram a liberação do procedimento. Ainda assim, manteve a busca pelo tratamento.
Além disso, os familiares acionaram apoio jurídico. A defesa apresentou pedidos de tutela de urgência, recursos e outras medidas para garantir a avaliação do caso pelos órgãos competentes. Assim, a mobilização familiar ganhou força e abriu caminho para a aplicação.
Paciente sofreu lesão completa
Depois do acidente, médicos diagnosticaram o jovem com lesão medular traumática completa. A equipe classificou o quadro como ASIA/Frankel A, escala usada para indicar ausência de função motora e sensitiva abaixo do nível da lesão.
Por isso, o caso exigiu análise rigorosa. A polilaminina ainda não integra os tratamentos de rotina. A terapia segue em fase experimental e só pode ser aplicada em situações específicas, com autorização, controle técnico e acompanhamento médico.
Mesmo assim, o procedimento chamou atenção. A aplicação ocorreu 98 dias após a lesão. Em geral, pesquisadores apontam que as primeiras horas depois do trauma concentram a janela mais sensível para esse tipo de intervenção, já que o tecido lesionado passa por inflamação e degeneração.
Portanto, o caso catarinense ganhou relevância por ocorrer fora do período considerado mais favorável. Ainda assim, a equipe levou o procedimento adiante após cumprir as etapas exigidas.
Terapia ainda é experimental
A polilaminina é uma terapia experimental estudada para lesões na medula espinhal. Pesquisadores brasileiros desenvolvem a substância com foco no potencial de auxiliar processos de regeneração do sistema nervoso.
Entretanto, especialistas tratam o tema com cautela. A terapia ainda precisa de estudos clínicos mais amplos para comprovar segurança, eficácia e limites de aplicação em seres humanos.
Por esse motivo, o caso não deve ser tratado como cura. A aplicação representa uma tentativa terapêutica, feita dentro de regras específicas. A ciência abre caminhos, mas exige método, acompanhamento e responsabilidade.
Uso compassivo permite acesso em casos graves
O jovem recebeu a polilaminina por meio do programa de uso compassivo. Esse mecanismo permite o acesso a terapias experimentais em situações graves, especialmente quando o paciente não conta com alternativas eficazes disponíveis.
Ainda assim, a autorização não ocorre de forma automática. Cada pedido precisa passar por análise técnica, médica, legal e regulatória. Além disso, a equipe responsável deve acompanhar o paciente antes, durante e depois do procedimento.
No caso registrado em Sombrio, o Hospital Dom Joaquim destacou a atuação conjunta da família, da equipe médica, de pesquisadores, da patrocinadora do programa, dos órgãos reguladores, da advocacia e do Judiciário.
Com essa articulação, o paciente conseguiu acesso ao procedimento de forma regular e monitorada. Agora, ele seguirá em acompanhamento médico, conforme os protocolos definidos para o caso.
Caso reforça debate sobre inovação na saúde
Com a aplicação, o Hospital Dom Joaquim reforça sua participação em procedimentos ligados à medicina regenerativa no Brasil. Ao mesmo tempo, o caso amplia o debate sobre acesso a tratamentos experimentais, inovação científica e segurança do paciente.
Afinal, famílias buscam esperança quando enfrentam quadros graves. Por outro lado, a medicina precisa equilibrar urgência, evidência científica e responsabilidade clínica.
Assim, o procedimento realizado em Santa Catarina marca mais um capítulo da pesquisa brasileira sobre lesões medulares. O resultado clínico ainda dependerá da evolução do paciente. Mesmo assim, o caso já mostra a força da mobilização familiar, da atuação técnica e do avanço científico conduzido com cautela.

